SETE DIAS SETE PRATOS · Ana Jacinto


O Sete Dias Sete Pratos desta semana traz-nos a Ana Jacinto, geóloga, apaixonada por (fazer) comida e preparar festas de aniversários e outras com as suas deliciosas receitas que partilha no blog Happy Messy Kitchen. A Ana é ainda, uma leitora do Slower que, um destes dia teve a muito boa ideia de nos enviar um email a propôr que partilhássemos os seus Sete Dias Sete Pratos. Estas partilhas têm um gosto especial para nós e ficamos felizes sempre por podermos publicar artigos dos nossos leitores. Dá um sentido mais alargado ao propósito do Slower e gosto de pensar que é sinal de que andamos a fazer alguma coisa bem!

Queridos leitores, deixo-vos com a querida Ana e os seus sete pratos para sete dias.


Olá a todos! Para quem segue e conhece o blog Happy Messy Kitchen, começo por explicar que a nossa vida, no dia-a-dia, é muito mais simples, descomplicada e sem todos os brilhos e detalhes cuidadosamente pensados que podem observar nas festinhas do blog… Cá em casa somos três humanos e dois gatos, e em comum temos o facto de adorar comer! A nossa semana começa ao sábado (permitem-me?), com a visita à praça e a uma quinta, perto de nossa casa, onde compramos um cabaz de produtos frescos. A partir desse cabaz fazemos (pelo menos) duas sopas substanciais, e gerimos os vegetais que sobram. Ao domingo é dia de preparar as marmitas da semana, fazer granola, bolinhas ou barrinhas energéticas, umas bolachinhas, um bolinho e pão, se para aí estivermos virados… Embora gostemos de comer de tudo um pouco, durante a semana damos prioridade a pratos vegetarianos e com peixe, onde muitas vezes as leguminosas estão presentes. Como funciona a nossa rotina? De segunda a sexta o jantar é religiosamente sopa (mas a chamada “sopa de entulho”, bem aviada, com feijão ou grão, couve da boa – tão abundante agora no inverno –, espinafres, batatinha doce, abóbora, etc. etc. Ao almoço levamos marmita, e são as marmitas que mais vezes repetimos que partilho convosco. Espero que gostem!

SÁBADO · Peixe grelhado
Permitam-me que comece a semana ao sábado, pelos motivos que vos expliquei acima. Ao sábado compramos sempre um peixe fresquinho na praça e, faça chuva ou faça sol, ele vai parar à grelha. A acompanhar, em função da estação do ano, ou fazemos uma grande salada para acompanhar. No verão chegam a ser três saladas: uma de verdes (alface, rúcula, agrião, espinafres), uma de vermelhos (tomate abundante, pepino, cebola) e uma onde o pimento assado é o protagonista!) ou um panelão de legumes cozidos.

DOMINGO · dia de ligar o forno – Polvo à lagareiro
Para aproveitar e rentabilizar o forno, muitas vezes a marmita de segunda-feira acaba por ser preparada no forno. Um dos meus pratos favoritos no forno é o polvo (ou o bacalhau!) à lagareiro.
Ingredientes (4 pessoas): 1 polvo cozido, 4/6 batatas doces cozidas, 4 dentes de alho picados, azeite e paprika q.b.
Preparação: Num tabuleiro grande de ir ao forno, colocar um fio de azeite no fundo e por cima o polvo, cortado aos bocadinhos, as batatas, cortadas aos cubos, o alho picado, mais um fio de azeite e polvilhar com um bocadinho de paprika. Levar ao forno a dourar cerca de 20 min. e está pronto a comer. Acompanhar com uma grande salada!

SEGUNDA-FEIRA · O nosso bacalhau com broa
Como bons portugueses, bacalhau é algo que nunca nos falta em casa! Broa congelada, idem. Uma das minhas confort food favoritas, perfeitas para começar a semana com um sorriso no rosto!
Ingredientes (3-4 pessoas): 2-3 postas de bacalhau, cozidas e às lascas, ¼ de broa de milho, 6 dentes de alho, 1 couve portuguesa cozida, coentros q.b., azeite (opcional: batatas cozidas).
Preparação: Num pirex que possa ir ao forno, colocar as lascas de bacalhau, cobrir com 3 dentes de alhos picados e azeite; reservar (quanto mais tempo o bacalhau ficar a marinar, mais saboroso será o resultados final). Num processador de alimentos, picar a broa com os coentros e cobrir o bacalhau com este crumble (não vale a pena regar com mais azeite, o pão vai acabar por absorver o que já lá está). Levar ao forno a corar (cerca de 15 min a 180ºC). À parte, cortar a couve já cozida; numa frigideira, alourar os restantes dentes de alho picados, em azeite, e saltear a couve. Servir o bacalhau com a couve e, opcionalmente, umas batatinhas cozidas a murro.

TERÇA-FEIRA · Caril à nossa moda
Cá por casa fazemos caril de tudo e mais alguma coisa, em geral vegetariano (o meu favorito é com grão!) e este prato é presença habitual nas nossas marmitas. Nunca repetimos duas vezes seguidas a mesa combinação de sabores, mas normalmente fazemos uma grande quantidade, congelando posteriormente em caixinhas para os dias em que o tempo se torna demasiado apertado… É a receita mais longa que vou partilhar convosco, mas não desistam ao fim da terceira linha!
Ingredientes (6 pessoas e/ou para congelar): 0,5 kg de cogumelos (ou mistura de cogumelos), 1 molho de espinafres, 1 cebola pequena, 1 dente de alho, 1 tomate, 1 chávena de arroz basmati, 3 c.sopa de óleo de côco, 1 lata de leite de côco. Especiarias que usámos desta vez: sementes de mostarda, mistura de 4 pimentas, 2 gindungos secos, ½ pau de canela, 2 folhas de erva príncipe secas, 1 estrela de anis (para o arroz) e por fim uma colher de sopa de pasta de caril (existem várias à venda, experimentem, variem!).
Preparação: Começar por derreter 2 colheres de sopa de óleo de côco, colocar as sementes de mostarda, a canela, os gindungos e a erva príncipe a fritar, um bocadinho; de seguida, picar a cebola, o alho e o tomate e juntar à mistura de especiarias – deixar refogar até a cebola ficar dourada e macia. Juntar os cogumelos e os espinafres, previamente limpos e cortados, envolver e deixar cozinhar cerca de 5 min. Juntar o leite de côco, temperar com sal e pimenta, a gosto, e deixar apurar, mais ou menos, conforme queiram o molho mais ou menos espesso.
Numa panelinha à parte, derreter o restante óleo de côco com a estrela de anis e, numa cafeteira à parte, aquecer água. Fritar um pouco o arroz basmati, mexendo sempre para não queimar, e por fim colocar 2 chávenas de água a ferver por cima; mexer, temperar com sal, tapar e deixar o arroz cozer.
Servir o caril por cima do arroz, nham nham, bom apetite!

QUARTA-FEIRA · (falso) Esparguete com atum
Esparguete com atum é aquele prato que me traz sempre lembranças muito boas dos meus (muitos!) anos como Escuteira! Continua a ter a vantagem de ser rápido, prático e que sabe bem tanto quente como frio. O twist aqui é que este prato não leva, na realidade, esparguete, mas sim “noodles” de courgette – podem ser compradas já prontas a cozinhar ou, no nosso caso, usar um espiralizador (o novo brinquedo cá de casa).
Ingredientes (2 pessoas): 2 latas de atum em água, 2 courguettes (ou uma embalagem de noodles de courgette), 1 cebola pequena, 1 dente de alho, ½ alho francês, 2 tomates maduros, 2 tirinhas de pimento vermelho, azeitonas pretas descaroçadas q.b., azeite, sal e pimenta (opcional: ervas aromáticas).
Preparação: começar por picar a cebola, o alho, os tomates, o pimento e cortar o alho francês às tirinhas; refogar tudo em azeite durante alguns minutos e juntar o atum, bem escorrido. Deixar cozinhar uns minutos, enquanto se espiralizam as courgettes (caso seja necessário este passo). Juntar as courgettes, as azeitonas, sal e pimenta e apagar o lume (vão provando a courgette – eu gosto dela mais rija, al dente, mas há quem prefira mais macia – é questão de deixar ao lume mais uns minutinhos).

QUINTA-FEIRA · Salada grega
Uma receita simples, clássica, rápida, mas que me sabe sempre bem, seja verão ou inverno!
Ingredientes: alface, tomate, pepino, cebola roxa, queijo feta, orégãos, azeite e vinagre balsâmico.
Preparação: lavar, cortar e misturar todos os ingredientes; temperar a gosto!
Dicas: Se levarem esta salada na marmita e a prepararem de véspera, cortem apenas o tomate na altura de servir. O mesmo se aplica ao queijo feta, sugiro que o levem numa caixinha à parte, coberto com água, e que apenas o juntem à marmita no momento da refeição.

SEXTA-FEIRA · Legumes assados no forno
Muitas vezes à sexta-feira já não temos sopa, por isso o jantar acaba por ser um improviso. Um dos nossos pratos de improviso favorito é legumes no forno. Isso mesmo, um grande tabuleiro de legumes direitinho para o forno, a solo, ou com umas postinhas de salmão ou até mesmo um lombinho no forno.
Ingredientes: Legumes a gosto (geralmente usamos abóbora, batata doce, tomate cherry, por vezes beterraba, cebola, bróculos, couve flor, etc. etc), azeite, mel, sal e pimenta q.b, especiarias a gosto.
Preparação: Basta cortar legumes às fatias, regar com um fio de azeite, um fio de mel (faz toda a diferença!), sal e pimenta q.b., polvilhar com uma erva aromática a gosto (gosto muito de usar tomilho, quando o tenho fresco, mas a opção b são sempre orégãos) e levar ao forno a 200º C. Em função do tamanho dos vegetais, deixar cozinhar entre 20-30 min (espetar o garfo até os pedacinhos estarem macios).

VIVER OU NÃO VIVER DEVAGAR


Continuo a ter alguma vontade de rir quando digo às pessoas que o titulo do meu livro é “Viver Devagar” ou quando digo que participo numa plataforma colaborativa de seu nome slower. Na verdade, não sei quem tem mais vontade de rir, eu ou as pessoas. Quem me é próximo sabe que devagar, talvez não seja a melhor palavra para descrever o nosso dia-a-dia. Mas também, por mais que leia e reflicta ainda não estou certa do que é isto do slow living. Uma vida contemplativa, rotineira. Uma vida em câmara lenta? Serão dias vazios? Ou dias meio cheios? Ou dias cheios de quê? De tudo ou de nada? É ser slow living fazer muito ou fazer pouco? Ou fazer devagar? Então, ao reflectir sobre este estilo de vida andei a pensar se encaixamos ou não nele.

E descobri que sim. Porque escolhemos um estilo de vida que, apesar de sermos muitos e com tarefas sem fim, conseguimos fazê-las sem stress e sem ansiedade. Com tempo e sem trânsito. Todos juntos. Em família e em paz.

Mas a verdade é que nem sempre foi assim. E tem sido um caminho, esse sim devagar. Um conjunto de escolhas e de reflexões que nos aliviam do chamado lufa-lufa de que sofre a maioria das famílias urbanas.

Eu e o Francisco conversamos muito sobre nós os seis. À noite, depois deles dormirem, falamos do que achamos que estamos a fazer bem e mal. Do que podíamos mudar. Sobre as rotinas, educação e estamos sempre a tentar melhorar.

Há uns tempos percebemos que as manhãs eram momentos de algum stress. “Depressa, depressa comam”, “depressa, depressa lavem os dentes”, “depressa, depressa vistam-se”.

Porque é sempre tudo a correr, porque há pressa, porque há birras. Então, lá em casa, com o passar dos anos, fomos construindo uma manhã em que conseguimos baixar os níveis de stress para perto do zero – não acreditam? verdade verdadinha!

Claro que há algum esforço por trás disto. Acordarmos todos algum tempo mais cedo do que é efectivamente necessário. Ou seja, o Jacinto tem de sair de casa pelas 8h00. Eu saio pelas 8h30 e o Francisco sai com os outros 3 às 8h45. Às 7h15 estamos todos a tomar o pequeno almoço com café, ovos e sumo de laranja natural – e agora sempre com uma velinha acesa!

O resto da manhã vai-se passando, com alguns “despacha-te” claro, mas sem stress. Muitas vezes estamos todos prontos antes do tempo e eles ainda podem ler ou brincar um bocadinho!

Ao fim do dia, para além de estarmos todos em casa relativamente cedo, ninguém apanha trânsito para ir e voltar. Também decidimos que, actividades extra-curriculares a surgirem, só no segundo período lectivo. Poupa-nos um regresso às aulas demasiado sobrecarregado e os dias curtos a termos de voltar a sair de casa depois de estarmos todos finalmente reunidos e no conforto de nossa casa. Se eles ficam a perder com isto? Ainda não pesei muito bem esta escolha. Às vezes tenho pena, pois sei que estas actividades podem ser muito enriquecedoras e que talvez a pausa não devesse ser tão grande mas, na verdade, começarem-nas com os dias a crescerem e a Primavera a caminho parece-me bem mais apetitoso. E o caminho do Inverno feito numa semi-hibernação familiar é algo que – e todos concordamos com isto lá em casa – nos dá um alento gigante nos dias mais  frios e  curtos.

Na hora de almoço – o momento zen do meu dia – se for preciso faço uma ou duas compras que estejam a faltar. Adianto um ou outro post ou qualquer outro assunto pessoal. Quando não tenho nada de especial dou um pulo até ao Guincho, (sem telefone, para não cair na tentação de fazer vídeos e fotos e outras coisas do género) vejo o mar e descanso a cabeça.

À noite, fazemos um programa em família – acompanhamos uma série, lemos um livro em família ou jogamos um jogo – depois tudo na cama, os rapazes lêem os seus livros e eu conto às meninas uma pequena história.

E muitos miminhos, piolhos, copos de água e outros “mããeee…” depois, a casa dorme finalmente. Nesse momento sentimos que temos todo o mundo pela frente.

E vocês, qual é o vosso momento menos “devagar” ou mais stressante do dia? Vamos pensar juntos em estratégias para que se torne mais calmo?

SETE DIAS SETE PRATOS · FAMÍLIA NHEKO


Conheci a Alexandra no meio deste mundo da internet mas rapidamente quisemos concretizar este conhecimento e conversar ao vivo e a cores. Combinámos ir almoçar as duas a meio de um dia de trabalho – num restaurante vegetariano caseiro onde as duas já éramos clientes regulares. Tínhamos uma hora, mas pareceram dois minutos. Sentimos que ficara ainda muito por conhecer e por conversar. Não tardámos a marcar outro almoço para terminar a conversa, mas também depressa percebemos que isto de conhecer uma pessoa não tem assim um princípio um meio e um fim, nem se resolve em horas de almoço.LER MAIS

SETE DIAS SETE PRATOS · KAASA NETTO


A família deste Sete Dias Sete Pratos é muito especial para mim. É na verdade, um pouco minha também, já que dela fazem parte os meus filhos. Na verdade, embora nem sempre seja fácil de explicar isto a terceiros, somos todos uma família mais alargada e temos uma amizade da qual me orgulho. A Katrin, é norueguesa, actriz, madrasta querida dos meus filhos e, tantas vezes, quem segura as pontas com eles. O Duarte é o pai, artista, professor e o fotógrafo destas fotos lindas. Juntos têm ainda uma filha, a Victoria e partilham o gosto por cozinhar.LER MAIS

CLEAN BLITZ OU COMO TER CASA ARRUMADA EM 20 MINUTOS


Casa destralhada ou não, há sempre alturas em que o caos se instala quando há crianças em casa. Almofadas do sofá nos quartos, edredons na sala, fortes debaixo da mesa, restos de lã, slime pela bancada na cozinha. Roupa por todo lado, armário da mãe invadido, maquilhagem espalhada.

A somar, ainda há roupa na corda, jantar a preparar, panelas por lavar. E a bem da sanidade geral, um livro para ler, uma manta no sofá, um sol lá fora para curtir, uma bola para jogar.

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SETE DIAS SETE PRATOS · TERESA FIGUEIREDO


A convidada do Sete Dias Sete Pratos desta semana é tripeira, designer, minha prima caçula (sim, andei com ela ao colo) e apaixonada por alimentação saudável. Além da sua cozinha, partilha diariamente essa paixão no seu blogue.

Conheçam a Teresa e  fiquem a saber como se cozinha de forma saudável e rápida, para que sobre tempo para a família e o seu bebé de 4 meses. Como ela diz, não há desculpa para não comer bem!LER MAIS

5 ROTINAS SIMPLES E SLOW PARA TODOS OS DIAS


A maioria de nós, mesmo sem às vezes dar conta, tem algumas rotinas que trazem pausa ao seu dia. Na verdade, qualquer hábito, rotina ou ritual, poderá ser slow, desde que o façamos em monotasking. Não, não vale conduzir enquanto engolimos o pequeno-almoço e falamos ao telefone. E também não vale embalar o bebé na espreguiçadeira com o pé, ao mesmo tempo que descascamos legumes e fritamos um ovo.

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UM ANO SEM CARRO · ADAPTAÇÕES DE UMA FAMÍLIA NA CIDADE


Este não é o artigo mais glamoroso, mas depois de vos contar o que aprendi em um ano sem carro, fiquei a pensar que seria útil partilhar como o gerimos na prática, pois é nestas miudezas que as teorias sobre mobilidade e qualidade de vida nas cidades, se concretizam.
Bem-vindos assim, ao nosso “como-uma-família-de-3-vive-um-ano-sem-carro-na-cidade”, um registo de como nos organizámos no ano lectivo passado. Para quem não se imagina a viver sem carro (como eu não imaginava), espero que descomplique algo que na verdade é mais simples do que à partida parece e por vezes até, mais vantajoso em orçamento e gestão doméstica.LER MAIS