ZERO DESPERDÍCIO PORQUÊ?


Cá por casa, o percurso Desperdício Zero começou com uma declaração de guerra aberta às garrafas de água. Eram imensas, todos os dias, espalhadas pela casa. Estavam a formar exército e tínhamos de responder. Foi aí que comecei a ter noção da quantidade de plástico que habitava os nossos dias: plástico nas águas, nos legumes, na fruta. Sacos, sacos, sacos. Metemo-nos numa guerra às escuras e, quando se acendeu a luz, tivemos medo.

As garrafas eram apenas um batalhão, a Infantaria com quem combatíamos diariamente. Escondidas, na linha de trás, as palhinhas que insistentemente apareciam nas bebidas de rua. E, quando achávamos que era já possível cantar de galo – “Calma, é possível controlar isto, já temos alternativas, isto vai ser fácil” – deparamo-nos com o inimaginável: microplásticos nos oceanos, microplásticos ingeridos por animais que os confundem com plâncton, microplásticos que contaminam já o nosso sistema de redes de água.

Zero desperdício, porquê?! Zero desperdício, como não?

Quando começamos a ter consciência de tudo isto, é difícil virar as costas. Não é o cotão que se esconde debaixo do tapete e se aspira daí a dois dias, é mais grave do que isso, é o nosso futuro que está comprometido se não fizermos – cada um de nós – a nossa parte.

O QUE PODEMOS FAZER PARA MUDAR?
Podemos comprar menos e com menos embalagens. Podemos voltar ao tempo das nossas avós em que a comida vinha da terra e era transformada pelas suas próprias mãos. Podemos voltar ao talego e aos remendos. Podemos saber escolher os materiais que colocamos nas nossas vidas, de onde vêm, quem os fez, dar-lhe-emos uso? Podemos perceber que a reciclagem já não é a solução e diminuir o lixo, começando por não criá-lo. Cada qual a seu ritmo, adaptando o melhor que pode ao seu estilo de vida e sem complicar.

VIVER UMA VIDA SEM DESPERDÍCIO É UM OBJECTIVO
É pragmático e é visionário, mas um objectivo. É um caminho para uma meta que nunca se realiza. É um “vamos caminhando” e é importante que isto se saiba para que se entre nisto de forma descomplicada e desacelerada, porque é fácil cair na tentação de declarar guerra ao plástico e querer eliminá-lo, a todo o custo, das nossas casas, mas esse é, também, um erro. Como em todas as mudanças, é importante que se pense cada passo. Eu sei que, no início, a sensação é avassaladora, achamos que o que fazemos é pouco, queremos mudar tudo, mas é importante ter os pés assentes na terra. Usar o que se tem até que se estrague, ou, se já não faz sentido, doar ou vender a alguém que precise.

São as pequenas mudanças diárias que farão toda a diferença. De resto, é seguir, um passo de cada vez, devagar e sem julgamentos, sabendo que damos sempre o melhor de nós.

Mais inspiração aqui e aqui

A Inês trocou a capital pela costa vicentina. Adora domingos, o silêncio da casa e o murmurinho aconchegante dos dias sem pressas. Anda sempre descalça, se calha a ter jardim andaria sempre de pés na terra. Lá por casa são zero desperdício e é nesse percurso que têm aprendido muito sobre eles próprios.

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