#VIVERDEVAGAR, UM DESAFIO


Aconteceu-me há uns dias e talvez já vos tenha acontecido a vocês também: Tive um jantar e, apesar de ter lá passado algumas horas, não estive verdadeiramente presente. Porque o telefone estava ali à mão, porque a vista pedia umas fotos, porque o corpo estava cansado e a cabeça noutro sitio.

Junho é sempre o meu mês mais esperado, com promessas de calor, festa, rua e férias da escola. Sei de antemão que chego a Julho de coração cheio, mas de gatas. Talvez tenha sido do cansaço? Ou o ter tido um dia desses, de coração cheio, que me fez estar longe quando a noite chegou?

Disseram-me: não estás cá. Sorri. E não me senti muito bem comigo. Não só não aproveitei a companhia, como também não retribuí. Talvez, na verdade, tivesse sido melhor dizer não a uma ou outra coisa, em vez de tentar ir a todas.

Esta é a essência do “slow living” ou de “viver devagar”. Não se trata de velocidade, mas, sim, da presença que pomos no que fazemos. Uma coisa de cada vez: com entrega, evitando o multitasking. Mas também ter presente que “menos é mais” e que há alturas em que o melhor que podemos fazer é parar e cuidar da nossa energia.

Só assim temos a capacidade de aproveitar os dias ao máximo e dar o nosso melhor a cada momento. Seja com amigos, seja nas férias, seja, também, nos mais chatos ou dificeis. Porque, sem estes, os momentos bons não o seriam, da mesma maneira que também não há noite sem dia ou verão sem inverno.

Viver devagar é presença e atenção, que se traduzem em amor. Por nós, pelos outros, pela natureza e pela vida à nossa volta. É estar de olhos bem abertos e gozar o presente que é estar aqui.

Em conversa com a Maria, surgiu-nos a ideia de lançar o desafio #viverdevagar no instagram, como forma de levar mais longe a mensagem do livro incrível que ela escreveu. Como forma de convidar todos os que falam português a registar, coleccionar e partilhar esses momentos através das vossas histórias e fotografias. Como forma, também, de encontrar a nossa tribo e de nos inspirarmos uns aos outros a encontrar mais tempo para viver.

O desafio arranca agora, no ínicio de Julho e, ao longo do próximo ano, cada uma de nós irá fazer, a cada mês, uma selecção de fotografias #viverdevagar que partilharemos nos nossos blogues.

Mal posso esperar para ver as vossas partilhas!

Estamos juntos,
Filipa


Luciane Valles é a fotógrafa por trás das imagens deste artigo. Documentar os seus dias e o crescimento dos seus filhos é uma grande paixão e o seu maior motor criativo. Para ela, a fotografia é o melhor meio de preservar a história da uma família. Gosta de capturar a vida com honestidade sem esperar pelas poses perfeitas. Acredita firmemente que nada bate a magia dos momentos autênticos e espontâneos que surgem. Mais sobre o trabalho da Lu aqui.

É designer gráfica. Vive em Lisboa e tem dois filhos. Gosta de dias que se desenrolam sem planos, de caminhar, de fotografia e não passa sem doses maciças de sol. Da vontade de abrir caminho para uma vida mais simples, em sintonia com o seu ritmo e o da natureza, inicia o blogue Slower em 2015. Dois anos depois, abre a casa a colaborações e torna o Slower numa comunidade participativa. Acredita que um dia ainda vai fazer um inter-rail com os filhos e que eles vão gostar. É uma optimista.
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15 Comments

  1. Sei que já correu uma semana deste mês mas |como a vida sabe o que faz e hoje foi o dia certo para conhecer este deste desafio| a partir de hoje vou tentar #viverdevagar

  2. Conheço (demasiado) bem a sensação de estar num jantar sem estar, com o coração a mil e a cabeça noutro lado. Há alturas assim. Umas vezes podemos dizer não – ao jantar ou ao que nos leva a cabeça – outras vezes não podemos. Depende! 🙂

    Viver devagar passa, no meu caso, por nem sequer registar com fotos o que se passa quando estou presente. Aconteceu há pouco, (re)encontros bem intensos de conversa pela tarde ou noite fora. Nem uma foto para amostra. Penso que o simples acto de fotografar – eventualmente com preocupações estéticas e cuidados técnicos – instaura (no meu caso) um distanciamento, ao passar ao acto de registo. E esse distanciamento acaba por ser sentido como uma quebra da intensidade da presença.

    Por essa razão não creio que consiga alinhar no desafio (ou a fazê-lo dificilmente terá qualidade estética) mas prometo tentar 😉
    beijinhos!

    1. Percebo-te. Também me ocorreu que ocorreu que tenho momentos assim e ainda bem. A ideia não é quebrar o que se vive nessas alturas. Mas às vezes acontece que elas combinam bem com uma foto. E de alguma forma este desafio, mesmo que só se tire uma ou outra foto, ajuda-me a dar conta, a valorizar essas alturas ainda mais. Passa mais por uma intenção que nos acompanha do que pela quantidades de fotografias tiradas. Na verdade, até podemos contar uma história usando uma foto antiga ou tirar uma posteriormente, desde que para nós ilustre #viverdevagar. Enfim, vale tudo :))

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