#VIVERDEVAGAR · OUTUBRO


@lucianevalles

Andava a empurrar com a barriga este #viverdevagar. Não sabia por onde começar a falar do Outubro que passou. Depois ocorreu-me o óbvio. Pelo principio, com o que vai cá dentro, mesmo que confuso e crú.

Passo os olhos pelas vossas fotos deste mês e vejo alegria, natureza, pausa, cores e sabores de outono. Passo os olhos pelas minhas e pergunto-me como é que Outubro cabe nelas. Como é que o meu Outubro intenso, acelerado e com muito pouco vagar, coube nestas minhas fotos silenciosas e tranquilas?

Depois relembro o de sempre – viver devagar não tem a ver com velocidade, mas com entrega e intensidade.

@thebushbush_family
@susanafrgomes

Mas dou-me também conta que os momentos que mais fotografo são aqueles em que não há muito a acontecer. Em que há espaço para olhar. Ou talvez porque procuro sempre a vida que emerge quando tudo o resto sossega? Ou porque quando está tudo a acontecer é lá que estou e não de máquina na mão? Ou apenas porque sou lenta a pegar nela e quando vou a ver, o momento este já era? Não sei bem. E não vou aborrecer-vos muito mais com estas divagações. Talvez tenha a resposta quando chegar o #viverdevagar Novembro. Talvez não.

@maocheiafotografia
@sou_a_madalena
@maocheiafotografia

Voltando ao #viverdevagar, Outubro. “Viver devagar, o ********”, mandava-me no outro dia, a Maria por sms numa versão mais hardcore do que aquela que eu acho que vocês toleram num post que ser quer zen. Quer?

Outubro aqui, começou com borboletas na barriga e esperança. Com esta maravilhosa aventura da plataforma colaborativa, que deu em novos planos, amigos, mercados e oficinas. E que incrível que tem sido contar com a vossa presença.

Logo de seguida, um virar de década celebrado numa semana de festa cigana, com a tal intensidade, boa companhia e mimo, como se quer. Entretanto, houve um intervalo para uma caminhada e um fim-de-semana de papo para o ar, que ainda estou para partilhar convosco.

@earth.sustainable.living
@carinoliveira
@saradosul

Daí parti para um outro nível de intensidade quando fui convidada para 1 hora em directo na RTP2 – excelente para introvertidos com medo pânico de falar para mais de 3 pessoas. Ah e tal… A magia só acontece quando saímos da nossa zona de conforto. Verdade, verdadinha. E com ela, a decisão de atacar esta frente já em 2018.

E foi aqui, nesta visita aos estudios – parte porque sou info-excluída, parte porque andava nuns nervos – que acordei para a dimensão e números da calamidade que tinha assolado Portugal dois dias antes.

É dificil escrever sobre este Outubro, sem passar pelos fogos. Não sei se tenho muito a acrescentar ao que já foi dito, senão repetir que juntos vamos mais longe. Que ninguém pode fazer tudo, mas todos podemos fazer alguma coisa.

E que, enquanto a metade mais cerebral do slower (eu, para quem tivesse dúvidas) partia a cabeça, afogada em informação e caminhos para ajudar, de um gesto impulsivo da outra metade do slower (Maria, a que leva sempre o coração fora do peito) nasceu um movimento solidário, com um espectacular efeito bola de neve. É com orgulho que digo, que o Não Vamos Esquecer tem dado alento a 130 famílias e muito mais está para vir.

Estou cansada. Outubro, rebentou comigo. Começou com esperança e com ela terminou. Novembro vai a meio. Abrandar ainda é piada, mas o coração vai cheio. Viver devagar também é isto às vezes. Só falta mesmo é chover.

Obrigada pelas vossas partilhas, que me lembram de respirar fundo enquanto a pausa não chega.

Estamos juntos!
Filipa

É designer gráfica. Vive em Lisboa e tem dois filhos. Gosta de dias que se desenrolam sem planos, de caminhar, de fotografia e não passa sem doses maciças de sol. Da vontade de abrir caminho para uma vida mais simples, em sintonia com o seu ritmo e o da natureza, inicia o blogue Slower em 2015. Dois anos depois, abre a casa a colaborações e torna o Slower numa comunidade participativa. Acredita que um dia ainda vai fazer um inter-rail com os filhos e que eles vão gostar. É uma optimista.
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One Comment

  1. força, filipa! viver assim a mil é exaustivo mas é muito bom viver com um propósito e com várias coisas a acontecer, a ajudar os outros e a impactar as suas vidas! se calhar não tens registos fotográficos para expressar este turbilhão de coisas porque usaste as palavras, qualquer um dos dois é válido! e às vezes quando temos tantas coisas na cabeça pegar na camera é última coisa que nos ocorre porque isto requer parar e observar e deixar o resto para depois. às vezes não dá. não faz mal, outros momentos virão.

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