UM ANO MÁGICO


Adoro dar presentes, é das coisas boas que o Natal me traz. Tenho um enorme prazer no dar e no receber também. Tento apontar para menos e melhor, esperando transmitir o valor cada presente, dado com intenção.

Às vezes é um bocadinho mais caro do que gostava. Às vezes é de borla e dá um trabalhão. Às vezes é de borla e é fácil fácil. O que importa é que tenha a cara de quem o vai receber e assim também se garante que quem dá recebe a dobrar.

Para os meus filhos, tenho presente a The 4 Gift Rule – um presente que querem, um presente que precisam, um presente para vestir e um presente para ler.

Evito também os presentes que precisam de ser levados ao colo com resmas de instruções. Que são de alta manutenção (i.e. pilhas). Que perdem aquela peça e ficam inutilizados para sempre. Procuro presentes com os quais as crianças se divirtam de forma auto-suficiente. Que não sejam um quebra-cabeças, a menos que… sejam um quebra-cabeças.

No ano passado acabei por dar a cada um, três presentes: Uma coisa para ler – o Grande Gigante Gentil e o Menino Nicolau que todos adorámos. Uma coisa para vestir e… um “Caderno Mágico”.

O “Caderno Mágico” é uma invenção cá de casa. Um conjunto de 12 vales com experiências, desenhado, impresso e encadernado por mim. Em cada página há a descrição de um vale presente, alguns critérios de planeamento e espaço para registar a experiência, com desenhos, escrita, colagens, o que se quiser.

Confesso que tinha algum receio que fosse um flop, que fosse um presente abstracto demais para eles, mas mal os miúdos desfizeram o embrulho, as minhas dúvidas desapareceram. Ficaram felizes.

Melhor, o “Caderno Mágico” deu pano para mangas, conversas e divagações sem fim. Houve planos mirabolantes, altos vôos e descidas à terra. Deu para os conhecer melhor, para eles aprenderem a planear e a esperar. Para fazerem algumas contas também. Para saborearem com gosto a antecipação das coisas boas, tão importante quando tudo à nossa volta promove o prazer on demand e consumo imediato.

Além da viagem surpresa que fizemos, houve muitos outros presentes que eles adoraram como o dia do picnic, o dia do pequeno almoço à la carte na cama, o dia de convidar um amigo para dormida, o dia de ir almoçar com a mãe num dia de escola. E várias outras.

Foi um presente que não se esgotou no dia a seguir, nem no mês seguinte. Que foi vivido e partilhado por nós três ao longo de um ano inteiro e que contou ainda com alguns convidados especiais.

A somar a tudo isto foi ainda um presente que, não só não ocupou espaço, como, uma vez chegando ao fim, não terá de ser doado, passado ou correr o risco de acabar num aterro.

O “Caderno Mágico” ainda rola e temos alguns vales pela frente (não fomos muito rígidos com o calendário) mas eles já perguntaram várias vezes se vai haver uma segunda edição, o que só me deixa feliz. E fica entre nós, acho mesmo que vai. Vou é passar a chamá-lo de “Ano Mágico”, pois foi isso mesmo que este presente nos trouxe.

Se quiserem oferecer um “Ano Mágico” a alguém que gostam este Natal, Ano Novo ou como presente de anos, aceitam-se encomendas até dia 10 de Dezembro. Proponho-vos um presente personalizado com 12 actividades à vossa medida! Enviem-me um email para ola@slower.pt

Até já,
Filipa

É designer gráfica. Vive em Lisboa e tem dois filhos. Gosta de dias que se desenrolam sem planos, de caminhar, de fotografia e não passa sem doses maciças de sol. Da vontade de abrir caminho para uma vida mais simples, em sintonia com o seu ritmo e o da natureza, inicia o blogue Slower em 2015. Dois anos depois, abre a casa a colaborações e torna o Slower numa comunidade participativa. Acredita que um dia ainda vai fazer um inter-rail com os filhos e que eles vão gostar. É uma optimista.
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