SLOWER (RE)START


Enquanto lá fora a luz já é de Outono e anuncia o recolhimento que aí vem, a cidade, alheia, fervilha nos últimos dias. Tivemos eleições, o trânsito não tem dado tréguas, os miúdos fazem-se à vida em escolas novas, trocámos os pés descalços por sapatos e há passes de metro a serem feitos, enquanto folhas secas se acumulam no chão. É a mudança de estação e está tudo bem, depois de um Verão saboreado sem pressas.

Dentro de casa, o que já não tem uso vai fora, destralha-se mais um pouco, limpam-se vasos de plantas que não sobreviveram à seca e arruma-se a casa para nos aninharmos. Em nós, sente-se uma energia de recomeço. Há um movimento de mudança e novas possibilidades no ar. Nada disto, no entanto, vem sem a sua dose de incerteza e desconforto. Para nós e para o olhar atento, sempre pronto a estranhar os desvios de comportamento, dos que nos são mais próximos e geralmente mais resistem ao nosso quebrar de padrões.

É natural, ou não fossemos criaturas de hábitos, cuja segurança reside em boa parte na constância que encontramos nos dias e nos outros. Mas todos sabemos: sair da nossa zona de conforto é algo que traz dores de crescimento, mas também as maiores recompensas e isso é o que nos faz encher o peito e mandar as inseguranças dar uma volta.

Talvez não tenha sido por acaso que tenha sido nesta altura que, há dois anos atrás, nascia o Slower. E talvez não seja por acaso também que, este projecto inicia agora a nova etapa que partilho hoje convosco.

Lembram-se deste artigo? Tal como escrevi em Agosto, a quem subscreve o Slower, foi no início do ano que comecei a sonhar com a ideia de comunidade. Queria chegar mais longe em conteúdos e proximidade. Tinha muito para vos escrever, mas estava com dificuldade em encontrar a forma de o fazer mais regularmente. Foi então que a ideia de tornar o blogue numa comunidade colaborativa, também no que toca a conteúdos, começou a ganhar forma. Afinal, foi também para encontrar uma tribo que arranquei com ele em primeiro lugar. Pelo caminho, a Maria e eu tornámo-nos amigas próximas, uma das coisas boas que marcou o último ano, que já soma tantas. Daí a partilhar com ela esta visão e convidá-la a fazer parte foi um pulo. A partir de hoje, podem assim, contar com a presença, sempre querida, da Maria, por aqui.

É um projecto ambicioso, pois não temos todas as respostas, mas queremos tentar levar-vos inspiração para gozarem mais o dia-a-dia, ligarem-se com o vosso ritmo e fazerem escolhas conscientes. Mais tempo para VIVER, não é isso que todos queremos afinal?

E porque juntos chegamos mais longe, queremos convidar mais pessoas e iniciativas com as quais nos identificamos a embarcar neste projecto. Uma espécie de “abrir a casa a amigos”, a quem partilhe desta visão. Desta forma, o Slower deixa de ser um blogue pessoal e passa a ser uma plataforma colaborativa. Estamos também a começar e pensar em algumas oficinas e programas, para que esta partilha vá ainda mais além.

Hoje abrimos portas e marcamos o arranque de uma mudança que será gradual, com algumas alterações no site. Não temos tudo pronto, novinho e a brilhar, pois percebemos que se puséssemos a barra lá em em cima, na perfeição, o mais certo seria não arrancar nunca. Assim, vamos fazendo as coisas com calma, experimentando aqui e afinando ali. Contamos com a vossa paciência e olhar atento e, se alguma coisa pudermos melhorar, com os vossos comentários.

A uma nova estação, de mudanças, imperfeições e desconfortos. Venham daí novas aventuras na vossa companhia. Obrigada por fazerem parte!

Até já!
Filipa e Maria

É designer gráfica. Vive em Lisboa e tem dois filhos. Gosta de dias que se desenrolam sem planos, de caminhar, de fotografia e não passa sem doses maciças de sol. Da vontade de abrir caminho para uma vida mais simples, em sintonia com o seu ritmo e o da natureza, inicia o blogue Slower em 2015. Dois anos depois, abre a casa a colaborações e torna o Slower numa comunidade participativa. Acredita que um dia ainda vai fazer um inter-rail com os filhos e que eles vão gostar. É uma optimista.
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16 Comments

  1. Que tenham imenso sucesso. Gostei do conceito, penso que seja um conceito inovador, pelo menos em Portugal. Fiquei curiosa com este “casamento” 😉 Neste mundo virtual nem tudo é mau e há amizades que se criam e se tornam para além dos ecrãs dos computadores, telemóveis e seus semelhantes. É um óptimo sinal, afinal o mundo tem coisas boas, maravilhosas. Nós só temos que as triar. Não sei de que forma poderei colaborar mas gostaria imenso de o fazer. Irei enviar-vos email. beijinho enorme

  2. Eh pá, super novidade! E tão boa! Desejo que este projeto seja um sucesso! Continuarei a seguir-vos com interesse redobrado e espero poder participar em iniciativas futuras.

  3. Sou brasileira mae de 5 filhos 4 meninas e um menino as idades sao 20,16. 14 e gemeas de 11, me identifico muito a forma de viver da Maria, fico muito feliz com a forma que ela coloca suas ideias,parabéns, Deus abencoe este trabalho, que tras sempre tantas coisas simples e mostra aquilo que e essencial.

  4. Obrigado Filipa e Maria 🙂 Que boa energia… Acredito que é nesse sentido comunitário que querem criar e na troca de experiências e sensações básicas que está a resposta para muitos dos desafios do dia a dia… Boa sorte nesta nova etapa. Contem com ajuda da familia 🙂

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