SIMPLIFICAR, POR ONDE COMEÇAR?


Acontece sempre em Janeiro. Passada a festa, os doces, a árvore, o presépio e brinquedos novos que entram casa a dentro em Dezembro, vem uma enorme necessidade de dar uma geral e de me virar um bocado para dentro. De abrandar e simplificar. É o Inverno ou o ano novo? Talvez os dois.

Andei a semana passada desejosa de lançar as mãos aos enfeites e árvore de Natal e enfiar tudo na caixa. Mas não… Deixa vir o dia de reis.. Os miúdos ficavam tristes e tradição é tradição.

Vocês não? Nestas coisas de ritmos, estações e luas, acredito que é mais o que nos une do que o que nos separa. Ainda no outro dia diziam-me que é no Outono que as coisas mais se avariam. E assim sem mais, se explicaram todos os electrodomésticos que pifam e não querem funcionar lá em casa a cada regresso de férias. Mas posso estar enganada.

Quero retomar um certo destralhar que ficou por concluir (será que termina um dia?). Arejar e continuar a ganhar espaço. Podia escrever indefinidamente sobre este processo. Sobre a casa, que cresce connosco e é refúgio. Que tanto gosto que tenha uma boa energia. Onde me sinto tão bem e tenho gosto que outros também.

É uma tarefa que envolve reduzir, reutilizar, simplificar, organizar… E harmoniosamente, sem que nos consuma demasiado tempo ou dinheiro. Porque a nossa casa, que é muito mais que uma casa, deve ser cuidada sim, mas calma. Não vivo, nem quero viver para ela. E aí entra o simplificar. A casa, mas também a vida em geral.

Porque há o tempo. O sempre escasso e precioso tempo. E além de cuidar do nosso espaço, há o cuidar de ritmos e voltar a reafinar horários. A vontade necessidade de ser mais consciente realista a planear trabalho, projectos, tempo para mim, para eles, para nada. Mais assertividade no que toca à carga que agarro. E ter a noção do que essa carga às vezes implica de tempo online e offline. Praticar o dizer não quando é preciso, e já agora, livre de julgamentos próprios – o sempre calcanhar de Aquiles. Dar prioridade ao que quero verdadeiramente incluir nos meus dias. Porque isto, de como passamos os dias, é na verdade como passamos a nossa vida, li no outro dia e bem.

Tudo isto: a casa, o tempo, assertividade, simplificar, reduzir, a forma como consumimos etc, contribui para viver devagar e bem.

E claro, quero escrever sobre tudo. O que já vou fazendo, o que há a afinar e o que ainda quero mudar e que vai sempre mudando. Parte porque escrever, tal como um espaço arejado, organiza-me. Parte para ser útil a vocês também.

Para isso peço a vossa ajuda. Preciso de umas luzes. Por onde querem começar este ano? O meu instinto aponta para o destralhar como ponto de partida mas, nada impede que possa falar mais de ritmo, horários e descomplicar. E o vosso? Deixem as vossas ideias e vamos juntos. Basta escolher uma palavra. Ou duas. Ou três. As que quiserem.

Achava eu que tinha entrado no ano sem plano muito definido… afinal aí está ele. São mais uns votos renovados que outra coisa. Mas com nova energia e clareza, como sempre acontece no início de cada ano.

Até já!
Filipa

É designer gráfica. Vive em Lisboa e tem dois filhos. Gosta de dias que se desenrolam sem planos, de caminhar, de fotografia e não passa sem doses maciças de sol. Da vontade de abrir caminho para uma vida mais simples, em sintonia com o seu ritmo e o da natureza, inicia o blogue Slower em 2015. Dois anos depois, abre a casa a colaborações e torna o Slower numa comunidade participativa. Acredita que um dia ainda vai fazer um inter-rail com os filhos e que eles vão gostar. É uma optimista.

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5 Comments

  1. Olá Filipa, para mim as palavras são sem dúvida destralhar em simplificar…migram de 2017 onde investi muito tempo e pensamento sobre estes tópicos. 2018 vai ser o ano de maior mudança na minha vida e vão tornar-se ainda mais prementes 🙂
    Ficarei ansiosamente à espera de novos posts
    Beijinhos

  2. Sim, simplificar é onde quero fazer o maior investimento este ano, juntamente com o desligar do complicometro, a resiliência e o exercicio fisico. No ano passado consegui destralhar imenso, mas ainda tenho para lá tanta coisa, que até faz confusão. Parece que nunca se faz o suficiente… Por isso o destralhanço continua a ser uma das prioridades para 2018.

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