Queridos leitores, esta semana temos um sete dias sete pratos com um cheirinho italiano, com a família da Susana Galli e as suas receitas simples e saborosas. Espero que gostem, eu vou já experimentar nos próximos dias a famosa salsa verde e fiquei (novamente) com vontade de arranjar uma máquina de esticar massa fresca.
O meu nome é Susana, sou mãe de quatro crianças que nunca foram à escola, incluindo um bebé de seis meses. Durante 12 anos fui emigrante na Escócia e agora é o meu marido que é emigrante em Portugal. Tenho um blog que se chama The Land of Wishes e uma loja no Etsy.
Há dois anos li o livro “Zero Desperdício” da Bea Jonhson e introduzimos algumas mudanças, sobretudo na cozinha.
Comemos de tudo um pouco, mas a nossa alimentação é principalmente vegetariana. Tanto eu como o meu marido cozinhamos e tentamos incluir as crianças na preparação e escolha das refeições. Vou ao mercado biológico uma vez por semana para comprar a maior variedade de legumes da estação possível e alguns produtos a granel. Como não temos carro, compramos o que fica em falta nas mercearias da rua. Há semanas em que planeamos as refeições e outras em que não.
SEGUNDA-FEIRA · Sopa de feijão da avó Joaquina
Gosto muito da sopa de feijão que a minha avó faz! Ela usa carne, mas esta é a minha versão. Todas as semanas faço um tacho grande de leguminosas. Cozinho feijão ou lentilhas e adiciono logo azeite, cenouras, cebola, alho, um tomate, alga kombu e ervas aromáticas. Daqui, sirvo uma parte acompanhada de arroz, guardo outra parte num frasco para fazer esta sopa e o restante no congelador.
Para a sopa, trituro o feijão com um pouco de água, depois adiciono batata doce e cenoura cortada aos cubos, a variedade de couve que tiver, sal e azeite. Depois de tudo cozinhado junta-se uma mão ou duas de massinha cotovelos, deixa-se cozinhar mais um pouco e está pronta.
TERÇA-FEIRA · Tofu com cenoura
Este é um prato que já provei cozinhado por várias pessoas, mas o meu preferido é o do meu marido. Aparece quase todas as semanas à nossa mesa e gosto de o servir com arroz integral (se me lembrei de demolhar no dia anterior, senão vai mesmo com arroz branco).
Frita-se uma cebola picada e alho em óleo de coco juntamente com caril, cominhos e açafrão da Índia. A seguir coloca-se o tofu na frigideira e, com uma batedeira manual, parte-se o tofu, até ficarem pedaços grandes e outros muito pequenos. A meio da cozedura junta-se cenoura (às vezes também curgete) ralada. Se estiver muito seco, adiciona-se um pouco de água. No fim junto salsa e/ou coentros. Serve-se com molho de soja e sementes de girassol ou sésamo tostadas.
QUARTA-FEIRA · Grão com legumes e salsa verde
Normalmente não cozo feijão e grão na mesma semana mas, como adoro este molho e faço-o tantas vezes, não queria deixar de falar sobre ele. Fica bem com tudo! A sério, não há comida que não fique melhor com a adição desta salsa verde. É de origem italiana e pode-se usar salsa e hortelã. A receita que aqui deixo é a da Tamar Adler, do seu livro “An everlasting meal”.
Ingredientes salsa verde
1 chalota, picada muito pequena, 1/2 colher de chá de sal, vinagre de vinho branco ou tinto (eu uso de cidra), 1 molhe de salsa picada, 1/2 dente de alho picado, 1 fillete de anchovas finamente picado (eu não uso), 1 colher de chá de alcaparras finamente picadas, 1/2 copo de azeite.
Instruções
Colocar a chalota numa tigela. Adicione o sal e vinagre até cobrir a chalota. Deixe ficar durante 10 a 15 minutos. Retire o vinagre da chalota, reservando para fazer um molho vinagrete no futuro. Misturar a chalota com o resto dos ingredientes.
Entretanto, cozinho os legumes que tiver à mão e adiciono-lhes o grão cozido. Depois envolvo tudo com a salsa verde. Normalmente cozinho legumes a mais que depois uso para fazer pataniscas de legumes, fritattas (óptimas para almoçar fora) ou sopa ribollita.
QUINTA-FEIRA · Sopa de massa e ovos
Nos dias que o bebé só quer colo e “ai já passa das 14h horas, o que vamos almoçar?” ou chegamos muito tarde a casa, faço esta sopa, inspirada nas canjas que a minha avó fazia quando eu era pequena. Os dias que eu fazia sourdough, sourkraut, e outras coisas mais complicadas que requerem mais atenção irão voltar, mas por agora é assim.
Põe-se água a ferver e um ou dois caldos de legumes, raspa-se um bocado de gengibre e alho. Quando o caldo de legumes estiver desfeito, prova-se e junta-se mais do que for preciso. Junta-se aletria (um ninho por pessoa) e um ovo por pessoa. Quando este tiver a clara cozida, mas a gema só parcialmente (cerca de dois a três minutos), está pronto.
SEXTA-FEIRA · Pataniscas de couve-flôr
Agora com os dias a aquecer, gostamos de pegar nos livros e brinquedos e ir para o parque! Os piqueniques é onde tenho mais dificuldade em fazer com o mínimo desperdício possível, mas recorro a esta receita muitas vezes. Aqui foi servida com couscous e salada. O que sobra aguenta-se no frigorífico uns dois ou três dias.
SÁBADO · Pasta fresca com salva
O pai, que trabalha num restaurante de comida Italiana, faz massas mais elaboradas, mas eu adoro esta por ser fácil e simples, no entanto muito saborosa!
Ingredientes massa
100g de farinha por cada ovo (idealmente farinha tipo 00, mas em Portugal ainda não encontrámos por isso usamos a T55). Normalmente usamos 6 ovos.
Instruções
Colocar a farinha numa tigela, fazer um buraco no meio e colocar os ovos. Mexer com um garfo e depois acabar por amassar com as mãos até ficar bem maleável. Se precisar, pode-se acrescentar um pouco de água morna. Cobre-se a tigela com um pano húmido e deixe descansar no frigorifico durante 20 minutos, pelo menos.
Para o molho, frita-se uma folhas de salva e alho num pouco de manteiga e azeite. Junta-se a massa e um 1/4 de copo da água em que se cozeu a massa. Envolver tudo bem e apagar o fogão. Tempera-se com um pouco de sumo de limão e queijo parmesão.
DOMINGO · Panzanella
Panzanella é uma salada de pão italiana. É um pouco diferente da portuguesa, porque na versão italiana o pão é tostado. Normalmente guardo vários pedaços de pão no frigorifico e depois faço croutons para servir com sopas, patés ou esta salada. Costumo usar os que ingredientes que tenho à mão, mas a receita do Jamie Oliver é uma boa referência.

É designer gráfica, alfacinha e tem dois filhos. Gosta de dias que se desenrolam sem planos, de caminhar, de fotografia e não passa sem doses maciças de sol. É da sua vontade de abrir caminho para uma vida mais simples, em sintonia com o seu ritmo e o da natureza, que nasce o Slower.






