SETE DIAS SETE PRATOS · KAASA NETTO


A família deste Sete Dias Sete Pratos é muito especial para mim. É na verdade, um pouco minha também, já que dela fazem parte os meus filhos. Na verdade, embora nem sempre seja fácil de explicar isto a terceiros, somos todos uma família mais alargada e temos uma amizade da qual me orgulho. A Katrin, é norueguesa, actriz, madrasta querida dos meus filhos e, tantas vezes, quem segura as pontas com eles. O Duarte é o pai, artista, professor e o fotógrafo destas fotos lindas. Juntos têm ainda uma filha, a Victoria e partilham o gosto por cozinhar.

Apresentações feitas, entrem na casa e cozinha da família Kaasa Netto e abram o vosso apetite com estes pratos deliciosos.


Cá em casa gostamos todos de cozinhar, cada um à sua maneira. Gostamos de cozinhar com um copo de vinho ao alcance e música a acompanhar, e normalmente três miúdos a ajudar ou a brincar ali ao lado. No meu caso cozinhar sempre teve um significado maior do que o acto de ingerir comida para o corpo e a mente funcionarem. É um acto de amor, de cuidar de si e dos outros, de demonstrar afecto e de celebrar cada dia. Gosto de criar pratos que também sejam agradáveis aos olhos, de jantares surpresa, de pensar em menus adequados para cada situação. Tento trazer um pouco disto para o dia-a-dia mais apressado, e por vezes fico com a sensação que não saio da cozinha… felizmente na nossa família toda a gente gosta de comer por isso compensa!

Alternamos entre ter uma e três crianças em casa, e desde que sou mãe e “madrasta” tenho pensado muito sobre a importância de criar uma boa relação com a comida, de poderem ajudar, tocar, não gostar, repetir cinco vezes ou por vezes não ter fome. A Victoria (3 anos) ainda come muitas coisas à mão, e sempre só o que ela quer (daquilo que lhe é oferecido claro, seguindo ainda a lógica do Baby Led Weaning). Nem sempre é fácil agradar, até porque os três gostariam de ter, por exemplo, muito mais carne na ementa. Leio muito sobre nutrição, mas nunca aderi totalmente a nenhuma linha. Fico muitas vezes confusa, por isso tento seguir a minha intuição que me diz que se incluir um pouco de carne e de peixe, ovos, leguminosas, muitos vegetais, alguma fruta, alguns cereais integrais e o mínimo possível de processados e açúcares talvez corra bem… No caso da carne e do peixe há também a questão da sustentabilidade e das condições de vida dos animais, e se estamos a educá-los para comer bem parece-me importante falar também sobre o outro lado. Tento que os alimentos que consumimos sejam maioritariamente biológicos. Fazemos parte da Cooperativa Boa e recebemos também o cabaz da Loja Consigo.

SEGUNDA-FEIRA · Massa de arroz com tofu, alho francês, pimento e pak choi
Este prato faz-se em 20 minutos, por isso é bom para dias mais apressados, e pode ser feito com antecedência também. Compro tofu biológico e normalmente com sabores (com azeitonas, manjericão, tomate ou curcuma) no supermercado Alfazema. Coze-se a massa, salteiam-se os legumes em azeite ou óleo de côco, junta-se tudo. Tempero com sal, limão, sementes tostadas ou demolhadas e coentros ou salsa.

TERÇA-FEIRA · Hambúrgueres de Quinoa e espinafres
Esta receita é de mais um dos meus blogs de referência e está aqui. Costumo acompanhar com feijões salteados, ovos cozidos ou húmus e uma salada. Outro hambúrguer vegetariano muito apreciado cá em casa é este. Também ficam bons frios no dia seguinte, e são bons para levar na mala.

QUARTA-FEIRA · Arroz de Legumes do Duarte
Sempre feito pelo Duarte e sempre maravilhoso. Demolha-se o arroz integral e coze-se. Salteia-se em azeite cebola, cenouras, couve, pimento e courgette (ou o que for do agrado ou da estação). Tempera-se com sal e cominhos e finaliza-se com limão, sementes e ervas e picante para quem gostar.

QUINTA-FEIRA · Tataki de atum com nems de manga, alface a abacate
Para fazer os nems é preciso papel de arroz (à venda em supermercados chineses ou lojas com produtos internacionais), mistura de alfaces, rúcula, salsa, coentros e hortelã, manga, abacate, pimento e pepino cortado em tiras. Molho o papel de arroz e espero até ficar mais maleável, ponho primeiro a mistura de alface e rúcula e ervas para criar consistência, e por cima ponho as outras coisas, depois tento criar um rolo fácil de comer… estou a aperfeiçoar esta técnica há bastante tempo, e aconselho ver um tutorial para entender. Para o tataki é importante escolher uma posta de atum de boa qualidade. Primeiro salteio alho em óleo de côco (sem odor) até ficar crocante. Tiro o alho e passo o atum pouco tempo de cada lado, para ficar braseado por cima e cru no meio. Corto em tiras e ponho o alho por cima. Faço um molho com soja, lima, malaguetas e gengibre (opcional) e um pouco de óleo de sésamo, que serve para o tataki e os nems.

SEXTA-FEIRA · Salada de Espelta e Funcho
Esta é uma das preferidas da Alice, e o Vicente foi-se acostumando até gostar. A Victoria continua céptica… encontrei no blog da Sarah Britton, o My New Roots, que é uma inspiração constante na nossa cozinha. Juntamos sempre queijo feta e azeitonas.

SÁBADO · Tsukune Japonês (Hambúrgueres da Harumi)
Adoro cozinha japonesa. Gosto muito do livro de cozinha da Harumi, sobretudo quando se trata de um momento mais especial. É das poucas ocasiões em que utilizo açúcar branco para cozinhar. Esta receita é das mais simples, para 4 pessoas. Primeiro faço o teryaki caseiro: Pôr 100 ml de mirin e 100 ml de molho de soja a ferver em lume baixo com 4 colheres de sopa de açúcar em pó durante 20 minutos e deixar arrefecer.
Para os hambúrgueres misturar 600 gr de carne picada, 130 gr cebola cortada grosseiramente, 60 g de aipo, 1 ovo, 2 colheres de sopa farinha, folhas de manjericão, sal e pimenta, formar hambúrgueres pequenos e fritá-los numa frigideira. Costumo acompanhar com o teryaki, shirimi togarashi (picante japonês), limão, arroz, pickles caseiros e feijão verde com molho de sésamo (sésamo triturado, molho de soja e açúcar).

DOMINGO · Salada de Salmão fumado com abacate e ovo
Esta também é do Duarte. Simples e rápida. Salmão, abacate, ovo cozido, tomate, coentros, sementes de girassol temperado com sal, limão e azeite. Às vezes também juntamos uma mozarela.

É designer gráfica. Vive em Lisboa e tem dois filhos. Gosta de dias que se desenrolam sem planos, de caminhar, de fotografia e não passa sem doses maciças de sol. Da vontade de abrir caminho para uma vida mais simples, em sintonia com o seu ritmo e o da natureza, inicia o blogue Slower em 2015. Dois anos depois, abre a casa a colaborações e torna o Slower numa comunidade participativa. Acredita que um dia ainda vai fazer um inter-rail com os filhos e que eles vão gostar. É uma optimista.

COMENTAR