SETE DIAS SETE PRATOS · FILIPA PINTO DA SILVA


Cá em casa, a semana de cozinhados começa à 3ª feira, que é quando os meus filhos vêm da casa do pai, e tem 8 dias em vez de 7. Também é à 3ª que alternadamente recebemos o nosso cabaz de legumes, fruta e ovos biólogos da BOA, o que torna as terças, naturalmente, num dos dias mais felizes da semana.

Costumo planear os pratos da semana tendo em conta o que há na despensa e o que virá no cabaz. Aponto para 1 jantar de carne e 1 de peixe por semana, parte por uma dieta equilibrada, parte porque não é sustentável comer carne e peixe diariamente, parte por gestão de orçamento.

Mais do que um menu a cumprir, o plano semanal, serve para eu relaxar o resto da semana, sabendo que tenho as coisas mais ou menos orientadas e que facilmente consigo uma refeição com o que tenho em casa. Entre a despensa que vou mantendo e o cabaz, depois de alinhar as refeições, a lista de compras acaba curta e simples. Por isso, são cada vez menos as vezes que vou a um supermercado maior e cada vez mais, as que recorro à mercearia ou ao Alfazema, a caminho de casa, para qualquer coisa em falta.

Quando tenho os miúdos comigo, conto com a Ana, a nossa ajuda em casa. Geralmente ela dá conta das sopas, um arranque ao jantar e eu termino.

Gosto de cozinhar e a minha filha Alice também, embora ela seja mais sobremesas, sumos e gelados e eu, mais salgados. Entre a escola e o jantar, o Vicente chega à cozinha apenas para dar uns valentes tragos no pacote de leite fresco. Antes disso, é difícil tirar-lhe a bola dos pés. Ou os pés da bola. Mas de vez em quando gosta de virar panquecas.

Ela é boa boca, come de tudo excepto papaia e sopa de urtigas (infelizmente, um flop com eles). Ele é carnívoro, mas desconfio que em casa do pai come bróculos e cogumelos sem piar.
Apresentações feitas, aí vamos nós, aos pratos com mais saída nos últimos tempos. Espero que gostem!

TERÇA-FEIRA · Legumes assados no forno com quinoa
Esta é uma receita da Joana Limão que todos temos gostado muito e a partir da qual temos introduzindo algumas variantes, tantas quanto os legumes do cabaz vão variando também. Fazêmo-la mais no outono e inverno para aproveitar a abóbora e para aquecer a cozinha, onde costumamos jantar.
Por vezes demolhamos cajus para fazer um molho com coentros, limão, água, sal e pimenta. Outras vezes, seguimos com uma vinagrete simples de mel, azeite e vinagre balsâmico ou limão. Usamos sempre um topping de sementes de girassol e de sésamo tostadas e coentros frescos.

QUARTA-FEIRA · Sopa borsht com iogurte
É rara a semana de inverno em que não temos uma sopa forte e fazemos disso o prato principal. A desta semana é uma óptima maneira de aproveitar beterrabas e vem do livro “As Receitas da Mafalda“. Outras vezes, fazemos sopa de tomate com ovo, sopa de couve e feijão, canja ou sopa da pedra – estas duas últimas, as preferidas dos miúdos.

QUINTA-FEIRA · Ervilhas com ovos escalfados
Estufam-se as ervilhas com uma cebola, muitos coentros e um pouco de chouriço que haja. No final, escalfa-se um ovo para cada um, abrindo 3 buracos nas ervilhas.

SEXTA-FEIRA · Pizza
Costumamos ter massa e molho de tomate caseiros no congelador e manjericão na varanda, por isso este é um dos jantares super-fáceis. Eu gosto de juntar cogumelos, cebola e muito queijo. Eles gostam de juntar chouriço, salsicha, paio – tudo o que venha de um porco, na verdade. Eu sou a má da fita, mas alinho no paio.

SÁBADO · Feijoada vegetariana
Usamos mais o feijão preto nesta feijoada, mas também misturamos feijão vermelho às vezes. A feijoada leva ainda cebola picada, cenoura às rodelas, pimento vermelho picado, curgete em rodelas e couve coração. Quem gosta, junta piri-piri caseiro no fim.

@lucianevalles

DOMINGO · Vale tudo
É dia de restos e de pouca cozinha. Às vezes improvisam-se bruschettas de tomate com queijo no forno. Outras vezes uns crepes. Ou uma tortilha. Uma sopa miso com o que houver de legumes. Quando eles eram mais pequenos, domingo era dia de “jantar ao contrário”, ou seja, pequeno-almoço ao jantar. Mas com o tempo foi caindo em desuso, com alguma pena minha.

SEGUNDA-FEIRA · Lasanha de salmão e gengibre
Tenho esta receita numa folha amarelada e para lá de amarrotada, de tão usada que é. Se não estou em erro, é uma das da Susana, mas por alguma razão não encontro agora o gengibre e açafrão na receita online, o que é uma pena, pois são a razão do grande sucesso desta lasanha. De qualquer maneira, a receita é essa mas, se quiserem fazê-la à nossa moda basta retirar os cogumelos (o rapaz não gosta zzz….) e deixar marinar o salmão pelo menos 1 hora em sumo de limão, azeite, cebola picadinha, raspas de gengibre, açafrão, água, sal e pimenta.

TERÇA-FEIRA · Ratatouie com esparguete
Este é um prato que vem das saudades do ratatouie da minha Tia Uche, que eu costumava comer nos verões de miúda. É super simples: um estufado de 1 pimento vermelho em tiras, 1 tomate em rodelas, 1 curgete em rodelas, 1 cebola em rodelas. Como não gosto muito de pimento verde, não costumo juntar, mas se houver à mão, substituo-o por 1 pimento amarelo.
Depois é só cozer esparguete. Por vezes junto também queijo mozzarela em fatias.

É designer gráfica. Vive em Lisboa e tem dois filhos. Gosta de dias que se desenrolam sem planos, de caminhar, de fotografia e não passa sem doses maciças de sol. Da vontade de abrir caminho para uma vida mais simples, em sintonia com o seu ritmo e o da natureza, inicia o blogue Slower em 2015. Dois anos depois, abre a casa a colaborações e torna o Slower numa comunidade participativa. Acredita que um dia ainda vai fazer um inter-rail com os filhos e que eles vão gostar. É uma optimista.

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