REGRESSO ÀS AULAS SEM DESPERDÍCIO


Setembro à porta, provavelmente o mês em que as famílias portuguesas mais gastam. Primeiro vêm os livros, os polémicos livros. Mudam umas vírgulas, muda o ISBN e toca de comprar livros novinhos. Mas este artigo não é para falar disso e sim de formas de reutilizar, poupar a nossa carteira e comprar bem. Pelo nosso bolso, pelo ambiente e por crianças que estimam o seu material escolar.
Uma das coisas que ajuda neste processo, é sem dúvida adiantarmo-nos e tratar destas coisas com tempo. É certo que muitas vezes os professores só dão a lista de material no primeiro dia de aulas, mas sabemos que há material que se repete de ano para ano.
Podemos começar por juntar tudo o que temos em cima da mesa da cozinha ou de jantar, fazer um ponto de situação do material escolar e uma lista do que poderá ser realmente necessário adquirir.
Uma vez nas compras, nunca é demais lembrar que, geralmente, o barato sai caro. Sugiro pois, evitar as grandes superfícies. Nestas lojas, é difícil comprar 1 tubo de cola ou 1 borracha, já que estes normalmente vêm em pacotes de 2, 3, 4, para que compremos o que não precisamos. Além disso, podemos perfeitamente poupar o ambiente a embalagens que não têm outro fim senão o de gastarmos mais.
Deste modo, estamos ainda a apoiar o comércio tradicional, a contribuir para dar mais vida aos nossos bairros e a perder menos tempo no trânsito com os gastos que isso implica.
Outra alternativa é procurar o material em segunda mão. É surpreendente o que se encontra no olx, por exemplo. Desta forma, estamos a reutilizar enquanto poupamos.

LIVROS E MANUAIS
A partir do 5º ano, precisamente quando o encargo com os livros se torna mais pesado, podemos recorrer à Book in Loop, uma iniciativa que seguindo o princípio da economia circular, se propõe fazer chegar livros usados a novos donos a um preço significativamente mais baixo. O site é muito simples de usar e lá encontram toda a informação necessária.
Para os livros de fichas do 1º Ciclo, que possam não estar abrangidos pela oferta do Estado, é mais difícil. Se alguém tiver alguma ideia genial, por favor partilhe. Cá em casa já tentei apagar os livros para os passar entre irmãos e ia enlouquecendo. A verdade é que é trabalhoso demais apagar tantas páginas. Mas talvez isto funcione com professores que dão menos uso aos manuais e cadernos de fichas.

CADERNOS E DOSSIERS
Como não costumo guardar os cadernos e dossiers escritos dos anos anteriores (destralhar, destralhar!), basta-me retirar as folhas usadas e tenho um dossier pronto a usar.
No caso dos cadernos, se um deles estiver muito usado, retiro e aproveito em casa as folhas em branco. Nos que têm pouco uso, retiro as folhas usadas e reutiliza-se o caderno. Em alternativa, colo uma cartolina numa das folhas à laia de separador e o caderno é usado na mesma disciplina até terminar.
Também é bom forrar os livros para que estes durem ou reutilizar as capas de outros livros que sirvam.
Ao comprar cadernos ou dossiers, podemos privilegiar os reciclados e/ou de capa de cartão craft. Os miúdos podem sempre decorá-los com desenhos ou colagens.

ESCRITA E DESENHO
Antes de comprar, dou uma volta por todos os lápis de cor, carvão e marcadores que há por casa. Testo canetas, afio lápis e vejo se é possível juntar sortidos de 12. Caso falte uma ou outra cor é possível encontrar lápis de cor avulso em lojas de belas artes.
Vale a pena ponderar uma caneta recarregavel. Lembro-me bem da minha primeira caneta na 1ª classe e era de tinta permanente. O orgulho de ter uma caneta destas era enorme e de repente, com ela na mão, até fiquei mais alta. Era um objecto de estima e que me acompanhou até ao liceu. Ora, assim por alto, uma caneta que nos acompanhe 6 anos, não só é um objecto muito mais especial e bonito, como também retira umas centenas de esferográficas de plástico da reciclagem e poupa algum.

RÉGUAS, TESOURAS, X-ACTOS, AFIAS
Mais uma vez, em lojas de belas-artes ou papelarias de bairro, encontram-se mais facilmente opções de metal (no caso dos x-actos) ou de madeira (no caso das réguas). Estas são mais duradoras, têm a possibilidade de recarregar lâminas eternamente e são bem menos nocivas para o ambiente do que as de plástico.
Geralmente os professores pedem afias com depósito (não vão as crianças ter de se levantar para se dirigir ao caixote do lixo), mas este é um pedido que costumo ignorar. Cá em casa usamos os de metal, à antiga, pois invariavelmente estes afias de depósito partem-se ou perdem a tampa.

MOCHILA
Às vezes uma mochila ganha nova vida com uma boa lavagem, uma ida ao sapateiro para mudar o fecho, ou com a aplicação de remendos divertidos. Caso seja preciso comprar, procurar uma em segunda mão ou com uma boa garantia.

FARDAS
Para as fardas, sei que em algumas escolas há grupos de trocas e pais que, quando os seus filhos deixam a escola, doam a farda à escola. No caso de não haver esta opção na vossa escola, é sempre possível propor ou lançar esta inciativa!

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Espero que este artigo vos seja útil e se tiverem outras ideias, partilhem!

É designer gráfica. Vive em Lisboa e tem dois filhos. Gosta de dias que se desenrolam sem planos, de caminhar, de fotografia e não passa sem doses maciças de sol. Da vontade de abrir caminho para uma vida mais simples, em sintonia com o seu ritmo e o da natureza, inicia o blogue Slower em 2015. Dois anos depois, abre a casa a colaborações e torna o Slower numa comunidade participativa. Acredita que um dia ainda vai fazer um inter-rail com os filhos e que eles vão gostar. É uma optimista.
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