SABÃO


sabão_slower_1Lembro-me como se fosse hoje, estava numa das primeiras consultas com a pediatra da minha filha, veterana experiente e despachada como poucas, quando lhe perguntei sobre cuidados de higiene. A última vez que tinha dado banho a um bebé ou mudado fraldas tinha sido ao meu irmão mais novo, hoje um homem feito, e alguma coisa havia de ter mudado entretanto.

– E no banho, um bocadinho de óleo johnson?
– Isso é porcaria. Use um óleo vegetal. Que ideia, besuntar o bicho em petróleo.
– Petróleo?!
– Petróleo.

Quando voltei a mim já a consulta tinha terminado e estava na rua, a caminho de casa. Não foi a primeira vez que questionei a qualidade ou segurança do que nos é apresentado como próprio para consumo, mas fiquei impressionada por descobrir que nem produtos indicados para bebés, se safavam. Foi assim que me iniciei a ler letras pequenas das embalagens, literatura com ingredientes  que, geralmente, quanto mais longa, pior.

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NA SERRA


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Tenho pouca prática de voluntariado, mas ultimamente tem-me acompanhado a ideia de que gostaria de o fazer em família. Tentei há cerca de dois anos, mas revelou-se impraticável envolvê-los e, a longo prazo, revelou-se também inviável gerir a minha ausência em casa e acabei por deixar.
Todos sabemos que dar é receber (não é novidade), mas começar cedo tem ainda mais impacto: além dos miúdos terem oportunidades de aprendizagem e de desempenhar diferentes papéis, desenvolvem a sua empatia e auto estima e ganham a noção de que podem fazer a diferença. Voluntariado em família é tudo isto em dobro e ainda sairmos mais unidos no fim de cada experiência.
E se for fora de portas, melhor ainda: a natureza é uma grande professora e com ela as crianças aprendem o seu lugar no mundo e a respeitar o papel que tudo e todos desempenham, abelhas e lobos, sol e chuva, fogo e água.

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CAMINHO DE SANTIAGO . PARTE II


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Tenho vindo a aperceber-me que muitos, tal como eu, vão guardando na gaveta a ideia de fazer o caminho de Santiago, adiando-o por várias razões. A pensar nos que simplesmente não sabem por onde começar, dou aqui o pontapé de saída com algumas dicas.

Algumas pessoas acham que não têm idade ou preparação física para o fazer, mas a primeira coisa que percebi durante esses dias é que não é preciso ser jovem, e muito menos atleta, para nos fazermos à estrada. Ao longo dos dias fomos encontrando adolescentes, seniors, pesos plumas e pesos pesados, pessoas sózinhas, em família e em pequenos grupos. Foi inspirador ver esta diversidade de pessoas e fiquei mesmo com muita vontade de voltar com os miúdos daqui a uns anos. Enfim, para partir basta querer mesmo e planear as coisas com mais ou menos tempo, consoante o ritmo de cada um.

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CAMINHO DE SANTIAGO . PARTE I


caminho_santiago_slower_1A primeira vez que tive vontade de fazer o Caminho de Santiago foi há uns bons 15 anos, quando a minha irmã fez um deles. Da vontade à concretização houve tempo para viagens outras, empregos vários, filhos dois… E Santiago foi ficando em espera.

Entretanto, no início destas férias de Verão, fiz pequenas caminhadas diárias e Santiago voltou a fazer-me companhia nessas horas. A pouco e pouco, o é-agora-ou-nunca dos trinta-e-tal-quase-quarenta começou a manifestar-se e o plano foi surgindo:

  • Aproveitar aquela semana em que ninguém marcou férias no emprego.
  • Roubar dias às férias que tinha deixado para mais tarde acompanhar as das crianças.
  • Concretizar o ponto acima, sem culpas.
  • Empandeirar os miúdos, pela primeira vez, para uma semana de avô (que só lhes faz é bem).
  • Concretizar o ponto acima, sem culpas.
  • E por último e mais importante: ter a cúmplice certa, aquela com quem comunicamos através de boas conversas, mas também pelo silêncio, que nos permite estar “sozinhos acompanhados”.

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DE VOLTA


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O regresso às aulas no ano passado foi puxado e, daí até ao Natal, foi sempre a acelerar. Em vez de entrarmos no outono a abrandar, como pede a estação, nós estávamos claramente a remar contra a maré (ainda que involuntariamente) e ao fim de um tempo todos nos estávamos a ressentir.

As manhãs eram turbulentas e os finais de tarde curtos demais. Lembro-me de, durante semanas a fio, sair do trabalho e ter sempre voltas para dar, actividades, reuniões, consultas, supermercado. As semanas corriam como uma gincana, mas das muito pouco divertidas, entre tarefas e obrigações. Eu própria já estava cansada de me ouvir a dar ordens e de dizer pela enésima vez que não havia tempo para mais uma história, brincadeiras na banheira, fazer desenhos, etc.

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LÁ FORA


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Quando eu era miúda, enquanto os meus pais ficavam em Lisboa a trabalhar, eu e os meus irmãos éramos recambiados um mês para a quinta da família. Todos os verões éramos adoptados por uma tia em particular e por outros tios e muitos primos, no geral.

Saíamos de manhã para só voltar ao toque do sino para almoçar e jantar. Corri maratonas, esfolei os joelhos e fiz nódoas impossíveis. Trepei às arvores, roubei ovos às galinhas, lavei roupa no tanque, fui campeã de matrecos, aprendi a nadar, dormi noites ao relento, aprendi a distinguir a ursa maior e a ursa menor no céu, coleccionei rãs e persegui saltaricos, virei as primeiras panquecas na sertã, rasguei-me a apanhar amoras, comi tomates na horta e tirei mel da colmeia.

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DIAS SEM CARRO


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Na verdade, já estamos quase há 1 mês sem o nosso carro, depois de dois pedidos de reboque e prognósticos e diagnósticos vários. A primeira semana foi em férias e, à conta de estarmos numa aldeia com amigos em várias portas, correu tudo bem.

Desde aí tenho estado por Lisboa a trabalhar e, apesar de sentir a falta dele ao fim-de-semana para vadiar, tenho passado bem sem carro durante o resto da semana.

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