O NOSSO NATAL


A época do Natal traz-me consigo as melhores recordações da minha infância e é isso que mais quero proporcionar aos meus filhos. Que, um dia mais tarde, ver as luzes de Natal lhes traga a memória do aconchego dos seus tempos de meninice. É esse o nosso maior investimento nesta época: criar memórias.

Para isso criámos algumas tradições, para além das que trazemos das nossas infâncias. Gostamos de montar a árvore e os enfeites no dia 1 de Dezembro, nem antes, nem depois. Dia 1 de Dezembro passamos sempre o dia em casa, ouvimos discos de Natal (em especial o Christmas songs do Johny Cash e Christmas in the heart do Bob Dylan), fazemos bolachas com motivos natalícios e enfeitamos a casa toda. É um dos meus dias preferidos no ano. Se estiver a chover é a cereja em cima do bolo, ou a estrela em cima da árvore!

Dia 1 damos também início ao nosso calendário do advento, que não é apenas um calendário do advento pois traz com ele uma tradição. Todas as noites, depois do jantar e antes da surpresa, sentamo-nos no chão numa pequena reunião familiar. Pensamos naquilo que foi o melhor do nosso dia. Agradecemos por essas coisas e por tudo o que temos e, depois, só depois, recebemos a surpresa que o dia tem. Pode ser um doce, um programa ou um telefonema para alguém de quem sentimos saudades. Pode ser duas destas coisas ou até as três.

A partir do dia 1 de Dezembro toda a nossa casa é Natal. Fazemos presentes, fazemos e enviamos pelo correio postais a alguns amigos. Do forno saem bolachas de gengibre. Gostamos também de escolher um dia frio e sem chuva para dar um passeio a pé à noite na cidade. Gostamos de ver as luzes de Natal e do cheiro do Inverno pelas ruas enfeitadas.
Antes de dormir, ouvimos histórias de Natal, do nascimento de Jesus e dos reis magos. Enfim, é todo um caminho até ao dia 25, este mês de Dezembro. E todos adoramos estes dias que antecedem o Natal.

Não podemos esquecer, também, o lado mais consumista do Natal – na verdade, o dark side de todo este aconchego. Não somos grandes consumidores. Gostamos de concentrar as nossas energias em fazer presentes para todos. Há alguns anos criei, com algumas amigas, um grupo de crafts, que se junta semanalmente desde outubro para fazer presentes de Natal, sejam de costura, de madeira, doces ou cozinhados. Mas também não somos anti presente comprado. De todo. E os nossos filhos recebem brinquedos normalíssimos. Mas, claro, sem excessos.

E depois chega a véspera de Natal. E as expectativas dos miúdos estão ao rubro. Sempre fizemos aquele ritual meio piroso e importado de deixar leite e bolachinhas para o Pai Natal. Todos os anos, desde que nasceu o nosso primeiro filho. Deixamos um copo de leite e umas bolachinhas preparadas pelos miúdos e… magia! Não é que o Pai Natal vai mesmo a nossa casa? No dia seguinte, a árvore está cheia de presentes e, das bolachas, apenas restam umas pequenas migalhas.

A véspera de Natal e o dia de Natal são dias enormes, confusos, cheios e felizes. Há ceia, há pequeno almoço, há almoço e há jantar. Há muita família e várias casas. Eles adoram estes dias apesar do cansaço.

No dia seguinte, aí sim, descansamos de todo este atarefado mês. Passamos o dia de pijama a brincar uns com os outros. Brincamos muito neste dia. Montamos os brinquedos novos. É um dia muito divertido, este dia a seguir ao Natal. É o dia em que começa a contagem decrescente até ao próximo Natal.

E vocês, que tradições repetem todos os natais?

PS 1: Podem encontrar algumas destas e outras tradições no livro “Viver Devagar”.
PS 2: Este artigo foi escrito para a revista Parentalidade Positiva e podem vê-lo aqui.

Maria Cordoeiro

É psicóloga. Tem quatro filhos. Um marido. Dois cães. Gosta de dias tranquilos mas que não lhe fujam dos planos. Gosta de cozinhar, de ouvir música, de costurar, de se deitar tarde, de tricotar e de ir à praia. Gosta de fazer coisas em geral e de pessoas em particular. Ou vice-versa. Tem um blogue onde conta alguns pormenores do seu dia-a-dia e onde fala da sua procura de um equilíbrio que considera urgente: parar e aproveitar todos os momentos, em contacto com a Natureza e com os outros. Em 2017 escreve o livro Viver Devagar e inicia a sua colaboração com o Slower.

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