NA SERRA


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Tenho pouca prática de voluntariado, mas ultimamente tem-me acompanhado a ideia de que gostaria de o fazer em família. Tentei há cerca de dois anos, mas revelou-se impraticável envolvê-los e, a longo prazo, revelou-se também inviável gerir a minha ausência em casa e acabei por deixar.
Todos sabemos que dar é receber (não é novidade), mas começar cedo tem ainda mais impacto: além dos miúdos terem oportunidades de aprendizagem e de desempenhar diferentes papéis, desenvolvem a sua empatia e auto estima e ganham a noção de que podem fazer a diferença. Voluntariado em família é tudo isto em dobro e ainda sairmos mais unidos no fim de cada experiência.
E se for fora de portas, melhor ainda: a natureza é uma grande professora e com ela as crianças aprendem o seu lugar no mundo e a respeitar o papel que tudo e todos desempenham, abelhas e lobos, sol e chuva, fogo e água.

Na sexta-feira passada, encontrei este programa e propus aos miúdos. Eles já vinham com outros planos mirabolantes e torceram um bocado o nariz mas não desisti e, na véspera, aproveitei as orações da noite onde costumamos agradecer à natureza tudo o que nos dá, para lembrar como também é importante cuidar dela.
A coisa pegou e na manhã seguinte acordaram conquistados. A A. até me apareceu com este livro debaixo do braço. Depois de apanharmos mais uma voluntária, arrancámos para a serra e, pelo caminho, fomos sabendo mais sobre tudo o que se passa lá fora.

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Passámos a manhã a recuperar as protecções dos carvalhos recentemente plantados, a limpar ramos e troncos caídos e, com uma grande ajuda de quem tem prática nestas lides, as crianças também arregaçaram as mangas: serraram ramos, aprenderam a distinguir árvores e deram uso à enxada. Andaram sempre contentes e, pelo meio da labuta, brincaram, exploraram, coleccionaram ramos para fazer fisgas, musgo para decorar cidades playmobil e ramos para pendurar na paredes dos quartos.
No fim, sujos, esfomeados e um palmo mais crescidos, participaram na foto de grupo.

À noite na cama, de volta às orações e ao momento em que partilhamos o ponto de luz de cada dia, falaram das árvores e da manhã passada na serra. Depois despedimos-nos, apaguei a luz e rebentei de orgulho.

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