(ECO) REVOLUÇÃO . O IMPORTANTE É COMEÇAR


slower_ecorevolucaoComo muitos de vocês, vi recentemente o filme “Before the Flood”. Fiquei sobretudo impressionada com a contra-informação existente nos EUA sobre o impacto que já estamos a sofrer devido à sobre-exploração dos recursos naturais e a previsível escalada deste, caso não haja uma mudança de fundo.

Do lado de cá do Atlântico, apesar de lhe reconhecerem a existência, este problema é ainda minimizado por muitos. Para algumas pessoas, a preservação da natureza é algo que concorre directamente com o progresso e a prosperidade. Como se houvesse escolha possível, como se a nossa simples existência não dependesse dela. A verdade é que, algures após a revolução industrial, o momento na história em que o mundo começou a girar mais depressa, desligámo-nos de nós mesmos e tornámo-nos arrogantes ao ponto de pensar que o planeta estava ao nosso serviço.

É fácil dizer que “eles” são corruptos, que “eles” são gananciosos, que “eles” deram cabo disto tudo. Mas há um “nós” nesta história também. Somos todos responsáveis. Em cada compra que fazemos, estamos a apoiar um modo de produção que impacta, para bem ou para mal, uma comunidade e ecossistema. A boa notícia é que junto com esta responsabilidade vem também o poder de reverter a situação. A procura condiciona a oferta e esta é a nossa maior arma.

Eu sei, é fácil sentirmo-nos esmagados pela dimensão do problema e não é para menos. Salvar o Mundo é obra. Mas podemos ter uma grande visão e começar com pequenos passos. Na realidade tanto faz por onde se começa, o importante é mesmo começar e não sermos demasiado duros connosco. Não vale a pena ficarmos frustrados por não sermos um exemplo de coerência. Ninguém pode fazer tudo mas todos podemos fazer alguma coisa – é a frase que me vou repetindo a mim mesma e que me anima a continuar quando tropeço.

É fundamental divertirmo-nos pelo caminho, sermos criativos, arranjar formas de introduzir mudanças que funcionam com o nosso dia-a-dia e que nos acrescentam sorrisos. Podemos mesmo dar-nos ao luxo de ser egoístas e começar por um tema que nos seja próximo e relevante. Talvez vivamos no Algarve e vejamos o nosso quintal ameaçado pela prospecção de petróleo. Talvez estejamos desconfortáveis com o desperdício de comida. Talvez nos incomode a lixeira que temos à porta de casa junto aos ecopontos. À medida que pegamos num assunto, muito naturalmente o caminho para uma vida sustentável irá ganhar expressão também noutras áreas.

A eco-revolução não acontecerá da noite para o dia e sim, haverá situações em que receberemos um revirar de olhos ao recusar um brinde. Mas também sei que, depressa ou devagar, a melhor maneira de gerar mudança é pelo exemplo que damos, às vezes silenciosamente.

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Cuidar da casa comum ~ Uma mensagem inspiradora de um grande líder espiritual trocada em miúdos.
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