1 MÊS ZERO PLÁSTICO, 12 PASSOS PARA COMEÇAR


Aderir a um cabaz de verduras como o da BOA é uma forma de evitar o consumo destes, embalados.

Antes de partir para Bali, questionava-me como iríamos viajar sem consumir garrafas de água de plástico. Sabendo que o problema do plástico é algo mais crítico por aquelas bandas, queria mesmo evitá-lo. Por outro lado, tinha algum receio que a qualidade da água para encher as nossas garrafas pudesse ser mais duvidosa. Foi com surpresa que uma vez lá, percebi que a prática de “refill” estava amplamente difundida. Em toda a ilha, era normal os restaurantes e hotéis terem água disponível para esse fim e, jantássemos onde jantássemos, levávamos a nossa garrafa reutilizável de água para a mesa.

Mas, da mesma maneira que há boas iniciativas, também tive oportunidade de confirmar que este é um problema grave ali. Há muito lixo, as praias têm a areia suja, muitas vezes até com cacos de vidro perigosos, e plásticos a boiar no mar eram uma constante. Até mesmo na praia de um hotel xpto que fomos uma vez. Foram várias as vezes em que me lembrei do fenómeno das ilhas de plástico.

A ideia de viver sem produzir lixo é, para mim, fascinante e avassaladora. Mas por muito que me identifique com ela, sinto-me ainda esmagada por esse objectivo. Ter em mente um daqueles frasquinhos de vidro bonitos com lixo de 1 ano, é meio caminho andado para me sentir derrotada.

Assim, vou testando e experimentando. Sem dramas e sem stress. Que isto de ser eco é mesmo importante, mas não pode, do dia para a noite, ocupar toda a minha energia. Começar pequeno e com humildade, mesmo sabendo que há dias em que me vou esquecer do saco de pano em casa e acabar por usar um de plástico da loja, parece-me dar mais frutos a longo prazo.

Foi há um ano atrás, que dei com o #plasticfreejuly no instagram, um desafio que tem como objectivo a não utilização de plástico descartável durante este mês. Eliminar o uso de objectos como copos e pratos de plástico, sacos de plástico e palhinhas, que usamos apenas uma vez e vão para o lixo. Pareceu-me um ponto de partida importante e facilmente exequível.

Mas a verdade é que não foi tão fácil como pensava. É preciso estar atento e recusar muito, pois em muitos cafés, a norma é agora, servir até um copo de água em copo de plástico. Às vezes fui a tempo, outras vezes não. Mas, mesmo com alguns falhanços, foi uma experiência importante como tomada de consciência e houve práticas que ficaram.

Plantar algumas aromáticas e verduras mesmo em espaços pequenos é outra maneira de comer melhor e sem plástico. (Foto Luciane Valles)

Este ano, desafio-vos a fazerem parte e partilho convosco algumas formas de reduzir o volume do saco amarelo, para além dos 4 grandes descartáveis de plástico:

  1. Criar o hábito de andar sempre com um saco de pano na carteira e recusar sacos de plástico.
  2. Evitar as garrafas de plástico de água. Salvo raras excepções, a água da torneira é boa e perfeitamente segura. Podemos andar com uma garrafa reutilizável, usar bebedouros da cidade ou pedir um copo ou jarro de água num restaurante. Faço-o há anos e nunca me fizeram cara feia.
  3. Recusar copos e pratos de plástico e palhinhas. Não percebo muito bem porquê, mas estes copos e pratos andam em força em alguns cafés e restaurantes que não de fast-food. Custa-me a crer que seja uma solução económica, mas enfim. Costumo pedir o copo de vidro na mesma e de vez em quando deixo uma sugestão escrita nesse sentido.
  4. Evitar os refrigerantes embalados em plástico e dar preferência a leite e bebidas em garrafas de vidro ou cartão.
  5. Privilegiar as compras de secos a granel e de verduras e fruta em mercados ou pequenas mercearias a fim de evitar produtos e vegetais super embalados.
  6. Evitar o peixe e carne embalados. Quem não está preparado para ir para o talho de tupperware na mão, poderá, em alternativa, consumir menos vezes e optar por comprar uma peça inteira (no caso do frango, por exemplo) reduzindo assim o número de cuvettes.
  7. Em casa, optar por frascos de vidro para guardar comida e evitar assim o plástico aderente.
  8. Optar por embrulhar snacks e sandwiches em guardanapos de pano, em vez de plástico aderente.
  9. Privilegiar as bolachas, cereais e barras de granola caseiras.
  10. Evitar sacos do lixo e de cocó de cão em plástico. Já existem algumas alternativas no mercado. Os sacos de papel reforçados no fundo e jornal também poderão dar conta do recado.
  11. Ler os rótulos e evitar os cosméticos e detergentes com microplásticos.
  12. Comprar detergente a granel (em Lisboa, no Miosótis, por exemplo) ou usar algumas alternativas mais simples e caseiras.

E uma sugestão final: vão com calma, vão devagar. O primeiro ano será uma coisa, mas, se tudo correr bem, haverá um segundo e um terceiro e algumas coisas serão mais fáceis. O importante é começar!

Mais recursos e inspiração aqui, aqui e aqui.

 

É designer gráfica. Vive em Lisboa e tem dois filhos. Gosta de dias que se desenrolam sem planos, de caminhar, de fotografia e não passa sem doses maciças de sol. Da vontade de abrir caminho para uma vida mais simples, em sintonia com o seu ritmo e o da natureza, inicia o blogue Slower em 2015. Dois anos depois, abre a casa a colaborações e torna o Slower numa comunidade participativa. Acredita que um dia ainda vai fazer um inter-rail com os filhos e que eles vão gostar. É uma optimista.
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