CAMINHO DE SANTIAGO . PARTE II


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Tenho vindo a aperceber-me que muitos, tal como eu, vão guardando na gaveta a ideia de fazer o caminho de Santiago, adiando-o por várias razões. A pensar nos que simplesmente não sabem por onde começar, dou aqui o pontapé de saída com algumas dicas.

Algumas pessoas acham que não têm idade ou preparação física para o fazer, mas a primeira coisa que percebi durante esses dias é que não é preciso ser jovem, e muito menos atleta, para nos fazermos à estrada. Ao longo dos dias fomos encontrando adolescentes, seniors, pesos plumas e pesos pesados, pessoas sózinhas, em família e em pequenos grupos. Foi inspirador ver esta diversidade de pessoas e fiquei mesmo com muita vontade de voltar com os miúdos daqui a uns anos. Enfim, para partir basta querer mesmo e planear as coisas com mais ou menos tempo, consoante o ritmo de cada um.

PLANEAR
Começámos por explorar um bocadinho da história de Santiago e os 11 caminhos principais para escolher o que nos parecia mais à nossa medida.
Pelas pesquisas e amigos que fomos sondado, ficámos com ideia que o caminho Sanabrés (que tem início na Via da Prata) seria mais rural e menos popular que o Português, sendo próximo o suficiente para os dias que tínhamos disponíveis.
Acabámos por decidir partir de Ourense e planeámos as etapas com as dicas de uma amiga, aqui e aqui.

NA MOCHILA
Tendo em conta que tudo o que levarmos, vamos carregar às costas durante uns dias, convém mesmo reduzir a carga ao essencial. O caminho não é uma travessia no deserto, pelo que há coisas que podem ir sendo compradas à medida que se tornam necessárias. Claro que o que vai na mochila também varia de pessoa para pessoa, mas depende sobretudo da altura do ano. A minha mochila, para 7 dias (5 de caminhada + 2 de viagem) em setembro pesava 5,5 kg e levava o seguinte:

  • Saco-cama leve (há uns que pesam apenas 700g).
  • Chanatas (que sabe mesmo bem arejar os pés ao final do dia).
  • Botas de caminhada (convém serem usadas e um número acima).
  • 3 bons pares de meias de caminhada.
  • 4 mudas de roupa interior.
  • 4 t-shirts.
  • 1 polar.
  • 2 calças.
  • 1 calção.
  • Impermeável leve.
  • Kit bolhas: pensos compeed, agulha e linha e anti-inflamatório.
  • Necessaire: protector solar, escova e pasta de dentes, sabão (para o duche e para lavar roupa), pente, desodorizante.
  • Cantil de água.
  • Um bloco, caneta, livro.
  • Carregador de telemóvel, telemóvel e headphones.
  • Canivete.

Não levei lanterna, porque usava a do telemóvel, mas para quem não tenha essa função no telemóvel, é importante levar uma. No caminho, acabei por comprar também tampões para os ouvidos. Para quem tem o sono leve, como eu, é fundamental: nos albergues a alvorada começa pelas 5.00 da manhã e há sempre algum barulho.

PARTIDA
Fomos de camioneta do Porto para Vigo e aí comprámos novo bilhete para Ourense. Existe também a possibilidade de ir de comboio até Vigo e aí fazer ligação de comboio.
Não é possível reservar lugar nos albergues durante o caminho (em Santiago já não é assim), e estes normalmente fecham portas às 22.00 pelo que convém chegar com tempo para garantir lugar, fazer check in, jantar, etc.

CAMINHO
Imprimimos e levámos cábulas do trajecto connosco mas, nos albergues existem mapas com informação disponíveis.
A única altura em que nos sentimos um pouco desorientadas foi mesmo nos primeiros 5 minutos à saída do albergue em Ourense mas logo tivémos companhia e orientámo-nos a sair da cidade.
O caminho está incrivelmente bem sinalizado, entre vieiras e setas amarelas, mesmo para ser feito sem se pensar nisso e em nenhum outro momento tivemos dúvidas ou nos sentimos perdidos.

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EM SANTIAGO
Uma vez em Santiago, dirigimo-nos à Catedral, onde tem lugar a missa do peregrino todos os dias às 12:00. Este é o ponto de encontro, a grande meta, e seja qual for o credo, assistir a esta missa é um momento a não perder. Apesar da dimensão da Catedral, o espaço é escasso para tantas pessoas pelo que é importante chegar cedo e levar o passaporte do peregrino que garante a entrada sem grandes filas.
Há quem se dirija à Oficina de Acogida al Peregrino a fim de receber a Compostela, o documento que atesta a peregrinação feita, mas encontrámos sempre filas enormes e preferimos deixar isso de lado. Para receber a Compostela no entanto, é necessário ter percorrido pelo menos 100 km a pé ou a cavalo ou ainda 200 km de bicicleta e ter um mínimo de dois carimbos por dia no seu passaporte do peregrino.
Nós dormimos neste albergue, mas para dizer a verdade arrependemo-nos de não ter ido para uma pensão, porque o recolher obrigatório era à meia-noite e no final queríamos mais era jantar, celebrar na calma e não ter horas para nada.

E é isto, acho que o essencial está aqui e pelos links pelo post, mas em caso de dúvida podem sempre enviar-me um mail.

Bom caminho!

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É designer gráfica. Vive em Lisboa e tem dois filhos. Gosta de dias que se desenrolam sem planos, de caminhar, de fotografia e não passa sem doses maciças de sol. Da vontade de abrir caminho para uma vida mais simples, em sintonia com o seu ritmo e o da natureza, inicia o blogue Slower em 2015. Dois anos depois, abre a casa a colaborações e torna o Slower numa comunidade participativa. Acredita que um dia ainda vai fazer um inter-rail com os filhos e que eles vão gostar. É uma optimista.
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2 Comments

  1. Ha sido igual que leer un artículo de cualquier profesional. Gracias Filipa, me encanta saber que el camino continua con la buena memoria y su expresión escrita.
    Un grandísimo abrazo.

    D

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