Quem se iniciou na última semana no desafio destralhar, por esta altura já se começou a perguntar o que é que vai fazer aos sacos de roupa excedente que juntou. Enquanto isso, esta semana o Fashion Revolution, um movimento que surgiu na sequência do desastre do Rana Plaza que causou 1.134 mortos no colapso de uma fábrica têxtil no Bangladesh em 24 de Abril de 2013, marca esta data com a Fashion Revolution Week, com o objectivo de consciencializar o mundo sobre a exploração nesta industria e apelando à sua transparência, com a pergunta #whomademyclothes. Por estas duas razões, esta semana falo-vos aqui sobre o ciclo de vida da nossa roupa: de
Autor: Filipa Pinto da Silva
É designer gráfica, alfacinha e tem dois filhos. Gosta de dias que se desenrolam sem planos, de caminhar, de fotografia e não passa sem doses maciças de sol. É da sua vontade de abrir caminho para uma vida mais simples, em sintonia com o seu ritmo e o da natureza, que nasce o Slower.
DESAFIO DESTRALHAR
Depois do desafio proposto a mim mesma e de um começo menos radioso, voltei a ler novamente sobre o tema e procurei pela internet uma lista com as categorias que me pudesse ajudar a seguir a ordem das coisas. Encontrei algumas, mas rapidamente senti necessidade de adaptar o que encontrei em inglês, à nossa língua e a uma realidade mais portuguesa. À medida que a fui reescrevendo, o desafio foi desenvolvendo outra forma, até que me entusiasmei e senti que fazia sentido não só partilhá-lo aqui, como também desafiar-vos a fazerem-me companhia, participando. Filipa Pinto da SilvaÉ designer gráfica, alfacinha e tem dois filhos. Gosta de dias que se desenrolam sem planos,
COISAS BOAS DA PÁSCOA
Filipa Pinto da SilvaÉ designer gráfica, alfacinha e tem dois filhos. Gosta de dias que se desenrolam sem planos, de caminhar, de fotografia e não passa sem doses maciças de sol. É da sua vontade de abrir caminho para uma vida mais simples, em sintonia com o seu ritmo e o da natureza, que nasce o Slower. http://www.slower.pt
MÃE-EQUILIBRISTA
De tempos a tempo foge-me um bocado de chão e lá parto em busca do equilíbrio novamente. São alturas em que me observo à distância e faço por juntar os pontos. Desde que sou mãe, essa busca passou ser ainda mais desafiante e a jogar com novos elementos, somando o malabarismo ao trapézio. À custa da maternidade tenho crescido muito e também descoberto novas facetas, algumas descritas no maravilhoso livro “Pê de Pai” e das quais me apropriei. Se num momento sou mãe-trovão, logo a seguir sou mãe-motor, mãe-boia, mãe-colchão, mãe-esconderijo, mãe-despertador, etc. No entanto, há alturas em que sou mais vezes do que gostava, a mãe-esfregão, a mãe-apanha-do-chão, a mãe-vassoura, a
DESTRALHAR · PAPELADA
Quando terminei, a primeira etapa do destralhar a que me propus – os papeis – fui rever o manual de instruções, dei-me conta que comecei metendo os pés pelas mãos. Pois é, não correu tão bem como podia, se tivesse estudado bem a lição. As instruções eram começar pela categoria mais fácil e terminar na mais difícil, quando já estamos quase em modo profissional. Primeiro roupa, seguido de papeis, diversos (aqui cabe quase tudo, de amostras de maquilhagem a ferramentas) e terminar nos objectos sentimentais. Mas eu saltei a primeira etapa. Achei que começar pelos armários e gavetas, seria começar por um tema difícil, para mim. Que iria navegar semanas num mar
#3 MIXTAPE · OÁSIS
As quartas são o melhor dia da semana, logo a seguir às sextas. Às quartas apanho os miúdos na escola e seguimos para casa sem mais obrigações. Escola-casa, uma maravilha. A caminho da escola, vou imaginando o que vamos fazer com todo o tempo que temos. É que, se nos despacharmos, até conseguimos chegar a casa um bocadinho antes de anoitecer, aí pelas 17h45. Ora, até à hora do xixi-cama temos 4 horas e 15 minutos para gastar. Um oásis a meio da semana. Filipa Pinto da SilvaÉ designer gráfica, alfacinha e tem dois filhos. Gosta de dias que se desenrolam sem planos, de caminhar, de fotografia e não passa sem doses
DESTRALHAR
Há quase dois anos que tenho o Walden na minha mesa de cabeceira. Mais precisamente, comprei-o depois de dar com uma crónica do Tolentino Mendonça onde li: “A riqueza de um homem é proporcional não ao número de bens que ele pode possuir, mas ao número de coisas a que ele pode renunciar.” É uma frase que ressoa recorrentemente em mim, esta. Tem-me levado a questionar, mais vezes do que habitual, coisas importantes e outras tão triviais como a necessidade de um microondas em casa, (depois do nosso se ter avariado há uns meses, abstive-me de o reparar e em menos de nada percebi que estava apenas a ocupar espaço). Filipa Pinto
NOVO ANO, NOVO PLANO
E assim, depois das festas de Dezembro, começa novo ano, nova estação e novo mês de dias maiores. Na verdade, o meu “novo ano” começa em Setembro mas, depois do ritmo acelerado destes dias, a pausa que lhes segue serve sempre para olhar para os últimos meses e fazer os reajustes necessários. É certo que as crianças ainda não têm idade para votar, mas durante este processo fiz também uma auscultação à população, envolvendo-as pela primeira vez, em discurso directo, nos planos do próximo ano. Passado uns dias de terem escrito a sua carta ao Pai Natal (a tal que, apesar dos meus esforços, se parece sempre mais com uma lista de
COISAS BOAS DE DEZEMBRO
Se fazemos bolachas em casa, deitamo-nos tarde. Se vamos ao um concerto de natal, falta fruta para o farnel do dia seguinte. Se tenho mais tempo com as crianças, não me organizo para fazer os presentes de Natal. Se saio para jantar com amigos, não há leite para o pequeno-almoço. Sim, em Dezembro o lençol é mesmo mais curto: quando tapa a cabeça, destapa os pés. Filipa Pinto da SilvaÉ designer gráfica, alfacinha e tem dois filhos. Gosta de dias que se desenrolam sem planos, de caminhar, de fotografia e não passa sem doses maciças de sol. É da sua vontade de abrir caminho para uma vida mais simples, em sintonia com o seu
#2 MIXTAPE · NATAL
A banda sonora que acompanhava a minha manhã de Natal em criança saiu à rua e está em cada esquina, nos centros comerciais, elevadores e garagens. Entra pelas casas adentro através da televisão em cada intervalo comercial, duplicando os decibéis da transmissão normal para vender coca-cola e telemóveis. Na verdade, essa banda sonora, de jingle bells e crooners, não tem nada de nosso, mas era minha na medida em que era a da minha família e a da minha infância. Agora dá-me vontade de fugir. E fujo. A televisão tem-se ligado menos e ainda não houve compra de presente de Natal que me levasse a um centro comercial, uma novidade que aqui exibo orgulhosa. Filipa
