ACAMPAR A TRÊS

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Acampar em família é o sonho de férias para muitas crianças e eu não fui diferente. Sonhava com a  aventura e dias sem outra coisa para fazer, senão o estarmos juntos no meio do nada e explorar o que houvesse a explorar. A vontade de acampar trazia consigo, sei agora, o desejo de reforçar o sentido de pertença entre nós e estende-lo ao mundo em redor.

Os adultos lá de casa não eram, no entanto, grandes amantes do ar livre (não se pode ter tudo) e a experiência não se proporcionou. Vim a acampar pela primeira vez já adolescente, em campos de férias, e alguns anos mais tarde, num registo já mais independente, foi dessa forma que descobri a costa vicentina e algarvia. Durante muitos verões, a tenda era montada por uns dias em praias quase desertas e acordar na praia é das boas recordações que guardo.

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Por todas estas razões, sempre soube que queria acampar com os meus filhos, quando eles chegassem. Não contei é que os eles chegassem tão seguidos e, cansada, pensei deixar para mais tarde, para quando o pudéssemos gozar mais relaxadamente e as crianças também guardassem recordações. Mas a vida nem sempre (ou nunca?) é o que planeamos e quando esse momento chegou, éramos apenas três. Assim, durante mais um tempo, o programa continuou a parecer-me mais complicado que divertido e fui novamente adiando enquanto ia desafiando amigos a alinharem. No entanto, por uma razão ou outra, a companhia tardava e decidi no final do verão passado, que não passaria da primavera seguinte.

Nessa altura, montei a tenda e desafiei os miúdos a acampar comigo aqui. Apesar do grande excitamento deles e da forte possibilidade de um encontro imediato com algum javali, acabou por ser uma boa noite de sono para todos, bem como uma maneira de preparar o terreno e de testar a montagem/desmontagem da tenda com eles.

Depois, foi preciso encontrar o sítio certo. Campismo selvagem numa primeira volta estava fora de questão por razões práticas mas sobretudo porque era importante ter alternativas no caso de algum imprevisto ou de crianças com súbito medo de lobisomens.

Fiquei a saber deste sitio através da Maria e fiquei logo conquistada. Parecia mesmo à nossa medida, não muito longe de Lisboa e em cima de uma praia linda.

A Primavera chegou e planeei partirmos num fim-de-semana de Maio, para ficarmos de sexta a domingo, mas trocaram-nos as voltas e afinal só era possível sairmos de Lisboa sábado pela hora de almoço. Entretanto o tempo piorou e começaram a surgir programas alternativos para o fim-de-semana, festas de anos, etc… Com tudo isto, durante a semana que antecedia a partida, confesso que tive alguns momentos em que vacilei e que ponderei adiar mas, no final, o “é agora ou nunca” venceu e lá arrancámos.

Chegámos a meio da tarde de sábado, com um tempo farrusco. Largámos o carro, demos um pulo à praia, explorámos o terreno, passeámos e finalmente montámos a tenda no pinhal com vista para o mar.

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slower_campismo_02A noite entretanto veio e, com ela, o grande momento de excitação das crianças – o recolher à tenda e enfiar-nos nos nossos sacos-cama, ouvir histórias, procurar estrelas à luz da lua cheia, ouvir o som do mar e a A. a cantar a música dos pirilampos. Durante a noite choveu, mas na manhã seguinte fomos recompensados com um sol radioso e um dia de verão com a praia só para nós.

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Levantámos o acampamento, bem ao final da tarde, num instante. Na verdade, a tenda foi quase toda desmontada, dobrada e enfiada no saco, pelos miúdos que fizeram um grande trabalho de equipa. Foi assim que fiquei a saber que o campismo não só faz bem à alma como também faz milagres. Só as minhas costas é que passaram mal, que isto já não é o que era, mas numa próxima vou prevenida!

Regressámos, de pés sujos e com alguns picos, mas com o coração cheio e a certeza de voltar em breve.

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É designer gráfica. Vive em Lisboa e tem dois filhos. Gosta de dias que se desenrolam sem planos, de caminhar, de fotografia e não passa sem doses maciças de sol. Da vontade de abrir caminho para uma vida mais simples, em sintonia com o seu ritmo e o da natureza, inicia o blogue Slower em 2015. Dois anos depois, abre a casa a colaborações e torna o Slower numa comunidade participativa. Acredita que um dia ainda vai fazer um inter-rail com os filhos e que eles vão gostar. É uma optimista.
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