5 ROTINAS SIMPLES E SLOW PARA TODOS OS DIAS


A maioria de nós, mesmo sem às vezes dar conta, tem algumas rotinas que trazem pausa ao seu dia. Na verdade, qualquer hábito, rotina ou ritual, poderá ser slow, desde que o façamos em monotasking. Não, não vale conduzir enquanto engolimos o pequeno-almoço e falamos ao telefone. E também não vale embalar o bebé na espreguiçadeira com o pé, ao mesmo tempo que descascamos legumes e fritamos um ovo.

Eu sei, nós mulheres, temos como bandeira a nossa capacidade de multitasking. A nossa capacidade de meter o Rossio na Betesga. Que decorre de uma outra nossa especialidade: uma enorme dificuldade em dizer não.

Mas estudos recentes têm indicado que multitasking não é sinónimo de produtividade. Nem tão pouco de saúde, o que é mais preocupante. Insónias, stress, burnout ou depressão, decorrem, muitas vezes, da pressão geral para acelerar.

Mas voltando ao início, a boa notícia é que é muito fácil introduzir rotinas slow para desacelerar o nosso dia e encontrar paz no meio do stress.

outras rotinas › chá preto, inverno ou verão

No meu dia-a-dia, conto 5 que fui introduzindo, gradualmente, ao longo do tempo. Não é nada que faça certinho como uma tarefa mas, na maioria dos dias, elas acontecem as 5, sim.

Vou partilhá-las convosco. É possível que reconheçam algumas delas como vossas. É possível que ao lê-las se dêem conta de outras rotinas vossas e lhes dêem valor. E é possível, que talvez vos inspire a somar uma ou outra, às vossas. Era bom!

ESPREGUIÇAR
Quando me espreguiço ao acordar, coisas boas acontecem: o corpo e o cérebro acordam em sintonia, alongam-se os músculos e levanto-me mais bem disposta e desperta. Tudo isto, à pala da libertação de endorfina e de serotonina.

ACENDER UMA VELA
A nossa cozinha às 7h30 em manhãs de inverno, consegue ser bastante sombria. Os miúdos têm cada um a sua hora para o pequeno-almoço e eu, que não o tomo em casa (tenho zero apetite ao acordar), vou dando apoio e fazendo outras coisas. A mesa fica posta de véspera e o que se come fica à mão para eles se orientarem. E desde o inverno passado que acendo uma vela para lhes aquecer este início do dia. À falta da nos conseguirmos sentar os 3 à mesa ao pequeno-almoço, uma vela acesa é uma presença que traz luz, calor e um mimo às manhãs mais escuras.

DESLIGAR
Nada mais do que desligar ou fazer uma pausa durante uns 10 minutos na hora de almoço. Sem telefone, sem computador, sem música. Funciona especialmente bem num jardim em dia de sol, mas pode ser feito em qualquer lugar. Basta sentarmo-nos confortáveis num banco e ouvir os sons aqui ao lado e mais adiante. Observar os movimentos à nossa volta, sentir o vento. Uma mini meditação no fundo. Para os mais irrequietos o HeadSpace pode dar uma ajuda.

PARAR AO JANTAR
Entre a escola e o jantar, muita coisa acontece em nossa casa. Fora 2 tardes por semana, eles chegam a casa às 17.00 e eu mais pelas 17.45. É altura de acabar algum trabalho de casa, jogar à bola, fazer o jantar, pôr a mesa, andar de skate, tomar duche, refilar porque-é-que-tenho-de-tomar-duche, desembaraçar cabelos, subir aos vizinhos, descer dos vizinhos, trocar cromos, dar um pulo à mercearia, tocar piano, fazer desenhos e trabalhos manuais, inventar sobremesas. Às vezes, ainda calha caçar piolhos.
E, às vezes, é difícil arrancar com o jantar em família em sintonia. Um está cheio de fome, outro volta para trás para calçar as pantufas e outro (eu), tem um braço à mesa e o outro na colher de pau. Então, inspirada pelo Simplicity Parenting, adoptei o hábito de fazermos juntos, 10 segundos de pausa em silêncio entre sentarmo-nos e começarmos a jantar. São 10 segundos que servem para olharmos uns para os outros, para deixar o resto lá fora ou até para contar até 10, como eles fizeram nos primeiros meses. Depois disto, estamos todos lá, e começa então o jantar, a conversa e partilha. O estarmos juntos, se não estivemos antes.

PONTO DE LUZ
Tinhamo-nos mudado há pouco tempo para a nossa casa, depois de me separar. Para além das dores de crescimento habituais dos miúdos, havia muita coisa a acontecer para eles. Para todos. E todos os dias havia muitos nãos e quase tudo parecia uma luta.
Eles eram pequenos e muito seguidos. Era difícil dar-lhes atenção individual. Então, ao deitar, fazia por falar um bocadinho com cada um em separado. Podia ser a altura certa para falar dos desatinos do dia, para dar um ralhete. Ou o “exame de consciência”, como eu fazia quando era criança ao deitar. Mas nada disto me soava bem. Não era pela negativa que eu queria dar a volta, mas pela positiva.
O que eu queria, era celebrar as coisas boas. Porque, por difícil que possa ser alguma situação, há sempre sempre alguma coisa boa. E, se lhe dermos valor, então tudo se torna melhor. E assim começámos a agradecer tudo de bom desse dia em geral. E depois uma coisa em particular, que se tornou o Ponto de Luz: uma visita, um presente, um golo, um almoço, uma boleia, uma bolacha, uma gargalhada, um reencontro.

E vocês, que rotinas boas têm nos vossos dias?

Até já,
Filipa

É designer gráfica. Vive em Lisboa e tem dois filhos. Gosta de dias que se desenrolam sem planos, de caminhar, de fotografia e não passa sem doses maciças de sol. Da vontade de abrir caminho para uma vida mais simples, em sintonia com o seu ritmo e o da natureza, inicia o blogue Slower em 2015. Dois anos depois, abre a casa a colaborações e torna o Slower numa comunidade participativa. Acredita que um dia ainda vai fazer um inter-rail com os filhos e que eles vão gostar. É uma optimista.

6 Comments

  1. Gostei muito deste post. Aliás, nunca li aqui um post que não gostasse. Rotinas boas, que me lembre de repente, acho que tenho duas, dizer bom dia ao sol da janela da cozinha e ler uma historia e cantar um nananin ao meu filho antes de dormir. Acalma-o a ele e a mim. Devo ter mais, mas realmente agora não me recordo de mais nenhuma. Tenho mesmo de investir em boas rotinas.

  2. Olá 🙂
    Tenho a sorte de demorar 10 minutos a chegar a casa porque trabalho na mesma cidade onde vivo. E porque entro muito cedo também consigo sair a horas decentes. Na maioria dos dias tenho sempre um ritual: depois de despachar tarefas mínimas vou 10-15 minutos para o meu sofá. Às vezes fico só a olhar para as paredes, sem fazer nada. É o meu tempo de qualidade só para mim, mesmo que tenha gente em casa.
    Depois dessa pausa fico pronta para o resto do dia. As tarefas não são penosas, consigo organizar o dia seguinte e ainda trabalhar no meu artesanato.
    Os meus filhos já não precisam tanto dos meus cuidados (21 e 14 anos) por isso estou um bocadinho mais liberta.
    Gosto muito do teu blog
    Beijinho
    Marta
    https://pitinhosdamarta.blogspot.pt/

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