2º MERCADO DE TROCAS


Quando criei o evento do 2º Mercado de Trocas, de forma um bocado impulsiva, indiquei que o excedente que sobrasse seria encaminhado para as vítimas dos incêndios deste ano. No entanto, quase imediatamente, tive dúvidas que roupa fosse uma necessidade de primeira linha. Falei com a Maria e ela rapidamente confirmou o que já suspeitava: roupa, tinham de sobra. Mais tarde, outras autarquias vieram dizer o mesmo.

O que acontece é que hoje, a roupa em geral é barata e logo, descartável, com todas as implicações que isso trás: excesso, pobreza e prejuízos ambientais.

O que lhes faz falta, materialmente falando, são ferramentas de trabalho, materiais de construção, o feno para os animais enquanto não vem a primavera. Os meios que lhes garantem a subsistência.

Estas necessidades, verdadeiras necessidades, põem em perspectiva algumas das minhas e as que sociedade ou os media hoje nos sugerem impingem. Mensagens como, só com wifi xpto vou ser feliz. Só tendo aqueles ténis ou os jeans da moda, vou ser feliz. E já agora, depressa.

Um problema de 1º mundo, este da insatisfação que nos leva a tentar colmatar insuficiências puxando do cartão de débito e às vezes de crédito. Um problema de excesso, de desconexão, que baralha as nossas escolhas.

Dou por mim a fazer o exercicio. O que é que preciso, para além dos óbvios saúde, paz e amor? O que me faz falta, materialmente, de verdade? Às vezes é mesmo um casaco novo para a chuva. Às vezes é uma bicicleta em segunda mão para substituir a que já ficou pequena aos miudos. Às vezes são uns sapatos que gostava que durassem largos anos.

E com isso, descubro também o que está mais e pode ser útil a outros. Que até podem ter algo que me faça falta a mim.

Por isso, venham daí a mais um Mercado de Trocas. Prolongar a vida da vossa roupa, oferecer um brinquedo, novo para outra criança e dar novo alento aos vossos livros emprateleirados.

Não vamos com isso resolver a fundo a forma como se consome hoje, mas vamos praticar o desapego e pôr o que não precisamos nas mãos de quem valoriza, fomentando a economia de partilha.

Esta segunda edição terá lugar já no próximo sábado, dia 4 de Novembro, das 10h00 às 13h00 na Escola nº 72 Bartolomeu de Gusmão e nele poderão ser trocados livros, brinquedos e roupa de criança e de adulto.

Para participar apenas têm de trazer, no dia do Mercado, os artigos que pretendem trocar, limpos e em boas condições. À entrada, estarão voluntários a receber e orientar os participantes. Para simplificar logística ao máximo, cada pessoa é responsável por classificar os seus próprios artigos e distribuí-los pelas bancadas disponíveis de acordo com a sua categoria. Posteriormente, os participantes podem então explorar os artigos disponíveis e selecionar o que pretendem levar.

Finalmente, os artigos que ficarem sem dono, serão doados a uma instituição de solidariedade da freguesia, o Instituto da Imaculada Conceição.

Para outros esclarecimentos sobre o mercado adiram aqui e vejam em baixo as respostas a algumas dúvidas mais frequentes.

O Mercado de Trocas é um evento público?
Sim. A única condição para participar é trazer pelo menos 1 artigo limpo e em boas condições para trocar.

Quando posso entregar os meus artigos para o Mercado?
No próprio dia do evento, após o inicio deste às 10h00. Cada pessoa é responsável por classificar os seus próprios artigos e distribuí-los pelas bancadas disponíveis de acordo com a sua categoria.

Como posso participar no Mercado de Trocas?
Apenas tem de aparecer no local a partir das 10h00, trazendo pelo menos 1 artigo para trocar.

O que posso trocar no Mercado de Trocas?
Roupa de adulto e criança, livros infantis e de adulto, e brinquedos que se encontrem limpos e em bom estado.

Quantos artigos posso trazer do Mercado de Trocas?
Os que entender precisar.

Onde posso saber mais sobre a economia circular e de partilha?
Aqui e aqui

Para onde irá o excedente do Mercado de Trocas?
Serão entregues no Instituto da Imaculada Conceição

Para os que moram longe e ficaram com pena de não poderem participar, desafio-vos a fazerem o vosso próprio Mercado de Trocas! Descarreguem o Guia e descubram como.

Até sábado!
Filipa

 

 

É designer gráfica. Vive em Lisboa e tem dois filhos. Gosta de dias que se desenrolam sem planos, de caminhar, de fotografia e não passa sem doses maciças de sol. Da vontade de abrir caminho para uma vida mais simples, em sintonia com o seu ritmo e o da natureza, inicia o blogue Slower em 2015. Dois anos depois, abre a casa a colaborações e torna o Slower numa comunidade participativa. Acredita que um dia ainda vai fazer um inter-rail com os filhos e que eles vão gostar. É uma optimista.
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